CLÁSSICO ROMANO (trecho)

O Lobo*



Consegui que um de meus colegas de pensão - um soldado mais valente que Plutão - me acompanhasse. Ao primeiro canto do galo empreendemos a marcha; a lua brilhava como o sol ao meio-dia. Chegamos a uns túmulos. Meu homem se detém ; começa a conjurar astros; eu me sento e me ponho a contar as colunas e a cantarolar. Um momento depois me viro para meu colega e o vejo desnudar-se e deixar a roupa  à beira do caminho. Meu sangue gelou de medo; fiquei como morto: vi-o urinar ao redor de sua roupa e transformar-se em lobo.

Lobo, começou a uivar e fugiu para o bosque.

Fui recolher sua roupa e percebi que ela havia se transformado em pedra.

Desembainhei a espada e cheguei em casa tremendo. Melissa estranhou ao me ver chegar àquela hora. "Se tivesse chegado um pouco antes", disse-me, "poderia ter nos ajudado: um lobo entrou no cercado e matou as ovelhas; foi uma verdadeira carnificina; ele donseguiu fugir, mas um dos escravos lhe atravessou o pescoço com uma lança."

No dia seguinte, retornei ao caminho dos túmulos. Em vez da roupa petrificada, havia uma mancha de sangue.

Entre na pensão; o soldado estava deitado numa cama. Sangrava como um boi; um médico cuidava de seu pescoço.

 

*Do livro Satíricon, capítulo LXII

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Da obra acima, "Antologia da Literatura Fantástica" (Cosacnaify), alojada na biblioteca tyrannus, vem a prosa de hoje. Publicação organizada por Bioy Casares, Jorge Luis Borges e Silvina Ocampo

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Caio Petrônio Árbitro (27 dC - 66 dC), escritor romano nascido na França, mestre da prosa latina



 


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