EXPOSIÇÃO

Em cartaz até 21 de outubro



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Titus Kaphar

Duas poderosas instituições culturais de São Paulo,  O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) e o Instituto Tomie Ohtake, sediam, através de iniciativa inédita, a exposição "Histórias Afro-Atlânticas". Inaugurada no final de junho, permanece em cartaz até 21 de outubro.

A mostra apresenta uma seleção de 450 trabalhos de 214 artistas, do século 16 ao 21, sobre os fluxos de pessoas entre a África, as Américas, o Caribe e a Europa.

Um olhar adequado sobre esse evento merece que ele não seja visto apenas como uma exposição de arte, pois traz também documentos históricos e materiais gráficos, como panfletos de divulgação de movimentos sociais e de campanhas ativistas.

A realização de "Histórias Afro-Atlânticas", na verdade, é um desdobramento da exposição "Histórias mestiças", realizada em 2014, no Instituto Tomie Ohtake, por Adriano Pedrosa e Lilia Schwarcz, que também assinam a curadoria desta nova mostra, junto com Ayrson Heráclito e Hélio Menezes, curadores convidados, e Tomás Toledo, curador assistente.

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Sidney Amaral

“É importante marcar esse plural: histórias. O conceito entende muitas histórias, daquelas narradas, ficcionais, criativas, mitológicas, pessoais e contraditórias. A exposição vai refletir um emaranhado de histórias”, diz o antropólogo e pesquisador Hélio Menezes. Ele é afrodescendente e atuou, como cocurador convidado da exposição.

“É uma exposição que mostra aspectos importantes, não só da história brasileira, mas da história de todos esses territórios atlânticos desde o sul dos Estados Unidos, passando pelo Caribe até a América do Sul, que foram territórios e países que se transformaram de forma bastante significativa a partir da vinda forçada dos africanos escravizados para este lado do atlântico. A exposição mostra o impacto das culturas africanas nessas sociedades e o impacto da presença africana nessas culturas”, ressalta o curador assistente Tomás Toledo.

Ainda segundo o curador assistente, é uma oportunidade para o público poder olhar e entrar em contato com produções que muitas vezes não são exibidas. “Conhecendo artistas com diferentes nacionalidades e dando mais evidência para as produções feitas por negros e negras e trabalhos que tratam dessas temáticas que muitas vezes são esquecidas pela historiografia tradicional da história da arte”, acrescenta Toledo.

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Carybé

O Brasil é um território central nas histórias afro-atlânticas, pois recebeu aproximadamente 46% dos cerca de 11 milhões de africanos e africanas que desembarcaram compulsoriamente neste lado do Atlântico, ao longo de mais de 300 anos. Também foi o último país a abolir a escravidão mercantil com a Lei Áurea de 1888, que não previu um projeto de integração social, perpetuando até hoje desigualdades econômicas, políticas e raciais. Por outro lado, o protagonismo brasileiro nessas histórias fez com que o país desenvolvesse uma rica e profunda presença das culturas africanas.

A exposição

A exposição não segue um ordenamento cronológico ou geográfico, sendo dividida em oito núcleos temáticos sobre diferentes temporalidades, territórios e suportes, nas duas instituições. No Masp pode-se ver os temas Mapas e Margens, Cotidianos, Ritos e Ritmos e Retratos (no primeiro andar), Modernismos afro-atlânticos (no primeiro subsolo) e Rotas e Transes: Áfricas, Jamaica e Bahia (no segundo subsolo). No Instituto Tomie Ohtake: Emancipações e Resistências e ativismos.

Segundo o curador assistente, a mesma exposição em dois locais era algo que o Masp já ansiava por fazer. “Com as duas instituições organizando a exposição, a mostra pode ter um tamanho muito maior, pode ganhar complexidade, além disso podemos apresentar um número muito maior de trabalhos ao público”, diz Toledo.

No Masp, a mostra contextualiza-se dentro de um ano de exposições, palestras, cursos, oficinas, publicações e programações de filmes em torno das histórias afro-atlânticas. O programa iniciou-se com exposições individuais de vários artistas, algumas já realizadas, e outras que ainda virão. 

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Recorte em obra de Albert Eckhout

Atlântico Negro 

"Histórias Afro-Atlânticas" parte do desejo e da necessidade de traçar paralelos, fricções e diálogos entre as culturas visuais dos territórios afro-atlânticos—suas vivências, criações, cultos e filosofias. O Atlântico Negro, na expressão de Paul Gilroy (escritor e historiador britânico afrodescendente), é uma geografia sem fronteiras precisas, um campo fluído, em que experiências africanas invadem e ocupam outras nações, territórios e culturas.  

É importante levar em conta a noção plural e polifônica de “histórias”; esse  termo que em português (diferentemente do inglês) abrange tanto a ficção como a não ficção, as narrativas pessoais, políticas, econômicas, culturais e mitológicas. 

A curadoria da exposição explicita que nossas histórias possuem uma qualidade processual, aberta e especulativa, em oposição ao caráter mais monolítico e definitivo das narrativas tradicionais. Nesse sentido, a exposição não se propõe a esgotar um assunto tão extenso e complexo, mas antes a incitar novos debates e questionamentos, para que as histórias afro-atlânticas sejam reconsideradas, revistas e reescritas. (*com informações do Masp, da Agência Brasil e do site select.art.br)

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Jaime Colson

 


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