EDUCAÇÃO/MÚSICA

"Na volta que o mundo dá"



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Você está em Cuiabá, atravessa o rio que deu nome à cidade. Já está em Várzea Grande. Urbe vizinha que, normalmente, aparece na mídia nos espaços destinados ao noticiário policial. Sim. Já que os veículos de comunicação têm uma predileção por notícias ruins, que combinam sangue com violência. Então, meio que na contramão dessa vulgaridade sensacionalista, o tyrannus tem o prazer de cravar aqui informações sobre um espetáculo musical vibrante.

Foi na noite do sábado (6), quando quase não fui (mas fui) conferir o show "Na volta que o mundo dá", maquinação do Instituto Federal de Mato Grosso (Campus Várzea Grande), através do seu coral com 57 vozes de adolescentes. Uma expressiva massa sonora capitaneada pela maestrina Liza Paro, acompanhada por ótimos músicos locais e com a participação especial do etnomusicista Gabriel Levy, que veio de São Paulo e assinou a direção musical do espetáculo, com a regente Liza. 

Pra começar a falar desse bravo evento cultural, vamos de educação. O IFMT compõe uma instituição educacional brasileira que tem 109 anos de estrada e, em Mato Grosso, tem 18 campi. Comprovou que as artes, neste caso, por meio da linguagem universal da música, podem e devem fazer a diferença na formação humana, especialmente, ao aplicar em jovens que experimentam o turbilhão da adolescência, uma rica vivência da qual jamais se esquecerão.

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Mais do que isso, essa rapazeada compartilhou com uma plateia que lotou as dependências do Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros, parceiro da iniciativa, com suas quase 800 poltronas. Ouvimos sonoridades a transbordar em humanitarismo e antenadas ao rigor do aprendizado da estética musical, algo que só se obtem com disciplina e dedicação.   

Além de cantar, os coralistas desenvolveram movimentos cênicos com dramaticidade, emocionando o público. Os aplausos em cena aberta entrecortaram várias vezes o roteiro do show. Uma resposta espontânea que entusiasma quem está no palco, e que não é nada fácil de se conquistar. Tudo bem que a plateia era (ou devia ser) composta em sua maioria por familiares dos alunos. 

Contra essa familiaridade generosa, registro aqui o meu testemunho totalmente isento desse laço sanguíneo. Conheço e gosto do palco. Sei do prazer e da vocação necessária para se estar nele. E o canto coral entrou em minha vida há quase vinte anos, para nunca mais sair. Ouvir garotos e garotas cantando e se movimentando, talvez, numa primeira experiência de palco e com casa lotada, apresentando tamanha desenvoltura e aquele tesão todo, não é coisa pela qual a gente passa batido. Contagiante é a expressão que cabe.

"Empoderamento". Palavra que está na moda e que cabe perfeitamente à postura coletiva dos 57 coralistas. O poder transformador das artes que jamais deve estar dissociado da completude da educação. Essa frase resume a minha leitura de "Na volta que o mundo dá".   

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Achei magnífico o depoimento da maestrina Liza Paro, ao final, dirigindo-se aos gestores do IFMT, que derramaram-lhe copiosos elogios. "Eu só quero que vocês me permitam fazer isto". Vem muito a calhar com um comentário que o amigo músico componente da empreitada, Daniel Baier, me fez já no domingo, via whatsapp: "Rapaz, isso tinha que ser temporada. Uma apresentação só é muito pouco". Assino com ele.

Simples e muito generosa, cabe frisar, foi a postura do etnomusicista Gabriel Levy, artista bastante responsável pelo sucesso do evento. Valorizou a ação do IFMT, a participação dos coralistas e dos demais músicos, além de destacar a performance gestora de Liza Paro.  

Levy tem se dedicado há vários anos à world music. É multi-instrumentista e compositor, já interpretado por feras da música mundial como o Duo Assad (Brasil), Yoyo Ma (violoncelista de origem chinesa) e Paquito d'Rivera (Cuba). Já esteve em países como Portugal, França, Espanha, Inglaterra, Suíça, Alemanha, El Salvador, Venezuela, Bolívia, Japão, China etc; participando de turnês. 

E já vou fechando o texto. Informações ficam faltando, porque foi um evento grandioso. No palco, cerca de 70 artistas amadores e profissionais da música. Somando à galera dos bastidores, provavelmente, mais de 100 pessoas estiveram envolvidas. Além de Daniel e Gabriel já citados, participaram os músicos Jhon Stuart, Juliane Grisólia, João Beraldo e Tony Maia.

Aos ouvidos dos privilegiados espectadores, soaram belas canções bem interpretadas de países como Brasil, EUA/México, África do Sul, Israel, Cuba, Estônia, Irlanda, Portugal, Haiti, Japão, Albânia e Indonésia... 

É isso. Prezados leitores e leitoras: da próxima vez que ouvirem falar da Várzea Grande, lembrem-se que uma fórmula possível e palpável de mudar uma cidade e/ou o mundo para melhor, foi praticada com louvor por uma cidade mato-grossense que fica do outro lado do rio Cuiabá. Bravo!!! 

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