POESIA

Karin Boye

Dói tanto quando*

 

Dói tanto quando o broto enflora.
Ou não tardava a primavera.
Oculta atrás do instante, chora,
refém do clima que congela
onde amargou o inteiro inverno.
Então por que desponta agora?
Dói sempre quando o broto enflora
dói quando cresce
                              e quando para.

 

A mesma dor é a dor da gota
que rompe o gelo, anseia e vai,
vacila em vão, o galho agarra
mas cede ao peso, escorre e cai.
É dor de medo, frio e dúvida
ante o escuro do sentir,
é dor daquele que ignora —
se quer ficar
                          ou quer partir.

 

E quando nada mais consola,
o galho o mesmo broto afronta.
Não há mais medo que a tolha,
cai rebrilhando a mesma gota
perante o novo, intimorata
esquece o risco da jornada —
e se engrandece, num segundo,
de toda a fé
                      que move o mundo.

 

*Reproduzido de https://escamandro.wordpress.com, tradução do sueco por Leonardo Pinto Silva)

 

Karin Maria Boye (1900-1941), poeta da Suécia


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