CONTO

Rotina sagrada*



 De volta ao bar em uma patética noite de domingo.  A merda toda pela descarga amanhã de manhã, quando iniciarie a mesma ciranda inútil que me garante continuar cagando. 

Irão pelo esgoto essa cerveja e os pastéis gordurosos que dançam na minha boca agora. Porém, devo agradecer por ter minha própria escrivaninha na repartição pública onde não preciso trabalhar realmente, ao contrário do que ocorria nos primeiros dias, quando me puseram para observar o tráfego de um cruzamento onde pretendiam instalar um semáforo. Na ocasião, aproveitei a sacanagem que me fizeram e anotei o dobro de carros. No mês seguinte instalaram os malditos semáforos, desnecessariamente. Não tenho orgulho disso e ao menos admito que o fiz.

Chega de cervejas por hoje. Vou-me embora antes que a maldita úlcera me faça sangrar aqui até morrer e derreter feito a merda que vou expelir logo depois que o despertador tocar amanhã de manhã. "Céus, e o que mais agora?", perguntar-me-ei, sempre me lembrando de Bukowski.

 

*Reproduzido de "A poesia mora no bar" (Carlini&Caniato)

klaus

Klaus Henrique Santos é contista, autor de vários livros. Formado em jornalismo, vive em Sinop, onde milita em instituições culturais


 

 


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