MAIOR VIAGEM

Algo mais do que ver para crer



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O chinês Ai Weiwei é um dos artistas principais deste pequeno planeta, nos dias de hoje. O próprio se referiu dessa forma (pequeno planeta) em relação ao lugar onde vivemos nós, mais de sete bilhões de habitantes. 

É possível inseri-lo no rótulo de artista contemporâneo. Finalmente, na semana passada, consegui conferir pessoalmente sua criação em "Raiz Weiwei", que fica em cartaz na Oca (Ibirapuera), em São Paulo, onde permanece até 20 de janeiro.

Quanta honra, é algo a dizer sobre o fato de esta ser a maior exposição da trajetória do artista, nascido em 1957, além de ser a primeira no Brasil.  

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Visitei a mostra há três dias e fiquei totalmente impactado. Escrever sobre o que vi e senti é algo que me persegue desde quando o tyrannus publicou, pela primeira vez, um texto citando Weiwei. Coisa que aconteceu em 2011, quando este "endereço passarinho" ainda aceitava a denominação de blog (mas, ainda somos um blog).

Arte contemporânea nunca foi um conceito plenamente elucidado em minha cachola. Hoje... melhorou. Claro que por causa desse artista, filho de um poeta (Ai Qing: 1910-1996), que goza de carinho e prestígio praticamente no mundo inteiro. Apesar de ser perseguido em seu país natal, e estrangeiro nas demais latitudes e longitudes da Terra. 

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Weiwei com suas criações e depoimentos vinha abrindo minha cabeça no que diz respeito ao fazer artístico nestes tempos contemporâneos. Afinal, como me ambientar nessa seara, sem estar em Nova York, Berlim e São Paulo? E não se trata apenas de ver pra crer, é preciso um algo mais.

Um algo mais que começou quando dei um rolê pelos quatro (ou seriam cinco) andares da Oca, apreciando as artes desse chinês profetizador. Instalações grandiosas em termos de dimensões e significados impactaram minhas castigadas retinas, afunilando-se em meus poderes interpretativos cerebrais. 

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Graças à constante  e depurada estética visual e às variantes filosóficas e poéticas daquilo que experienciei, até que enfim, fui dialogando de forma mais expansiva com a arte de Weiwei. Curioso. Curiosissimo o nome "Raiz...", destinado à exposição. E cabe aqui reproduzir poema do pai do artista:

Árvore

Uma árvore, outra árvore
Cada uma de pé e ereta.
O vento e o ar
Dizem de sua distância.
Mas abaixo da capa da terra
Suas raízs se estendem
E em profundezas que não se veem
As raízes das árvores se entrelaçam

O tom confessional deste texto se acentua. Nunca assumi (pelo contrário) o meu gosto pela crítica social no contexto da criação artística. Agora, quem sabe, começo a dar o braço a torcer e sinto-e tentado a aceitar o que diz Weiwei: "Tudo é arte, tudo é política". 

O grande artista oriental mirou-se em Marcel Duchamp e em Andy Warhol para moldar seus conceitos de criação... E não fechou a porta, nem apagou a luz. Sua proposta, acredito, não precisa de um ponto final

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