MAIOR VIAGEM

Jazz internacional e gaitista virtuoso



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Gary Brown e todo aquele jazz que faz carinho em nossos ouvidos e só é praticado por músicos que não conhecem outro jeito de trabalhar, que não seja a liberdade

Uma lasca da oferta musical paulistana é o que reporta o tyrannus que está em missão especial: férias. Mas só se for férias de Cuiabá, já que a nossa pauta é sempre cultura e visitas a Sâo Paulo e Rio significam mais trabalho, mais coisas sobre o que escrever aqui. Compartilhar, palavra chave.

No domingo (16) foi dia de música ao ar livre, gratuita. Fui conferir o último dia do Bourbon Street Fest em sua 15ª edição. O evento costuma trazer feras do jazz habituês em Nova Orleans e para este ano vieram o Gary Brown, com sua banda, e o trio Nu Beginnings, formado pelos cantores Erica Falls, Jabial Reed e Melaney Batiste, acompanhados por banda.

Os brasileiros da Orleans Street Jazz Band também marcaram presença, abrindo a programação e conquistando de imediato o público. A banda chegou pela retaguarda do evento - o lado oposto do palco, e já foi logo provocando um grande reboliço, interpretando hits do jazz de New Orleans e interagindo ferozmente com o público que, por volta das 16h30, reunia pouco mais de 500 pessoas.

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Bourbon Street Fest, ambiente bem familiar, com ótima música e organização bastante eficiente

Com uma performance incrível e bem humorada foram ovacionados pelo público que os seguiu em direção ao palco. Nessa hora, Gary Brown passava o seu som, mas teve que dar uma paradinha. A Jazz Band Tupiniquim levou o público ao delírio mandando "País Tropical", de Jorge Benjor. Depois eles subiram ao palco e abriram oficialmente as apresentações. 

Gary Brown

Gary Brown toca e canta o melhor da música negra, com jazz, blues, funk, soul, rhytm & blues, reggae e gospel. O músico já trabalhou com grandes nomes, como Otis Redding, Marvin Gaye, Big Joe Williams, Professor Longhair , Dr. John e The Neville Brothers. Também participou de gravações em álbuns de Wilson Pickett, Dionne Warwick, Joe Cocker e Bee Gees. Um dos destaques na sua carreira é a trilha sonora do filme “Grease – Nos tempos da brilhantina”.

Brown abriu sua apresentação estrategicamente, não no palco. Na beiradinha da cerca à frente do palco, quase nos braços da galera. Mandou "Palco", de Gilberto Gil, e depois dirigiu-se a ele, o palco. Empoderado nesse espaço de artistas, desfiou um repertório onde estavam releituras de sucessos de Michael Jackson e Ray Charles, entre outros.

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Ao sair do Festival contabilizei cerca de quatro mil pessoas, a mesma estimativa que os organizadores me anunciaram

Para fazer média com os brasileiros e/ou para mostrar toda a extensão do jazz, também cantou sucessos da música brasileira. Não aguentei esperar o trio Nu Beginnings, pois já estava há cinco horas em pé e, confesso, meio mamado. Acho que também peguei carona no fumacê - que não era antidengue - que neblinava o ambiente do festival.

Na minha retirada contabilizei os números da plateia que já chegava às quatro mil pessoas, tudo na mais perfeita ordem, tudo na mais santa paz. Enquanto me afastava do local (do crime) ouvia Gary Brown, que além de saxofonista, também canta, entoando, com aquele conhecido sotaque estadunidense, os versos de "Samurai", de Djavan. 

porco

No almoço de segunda (Casa do Porco), torresmo com goiabada e canapés de pão ao bafo, com barriga de porco e agrião. Bão demais. E vocês sabem... cultura dá uma fome lascada

Na segunda

Nada como ter um amigo residente na cidade grande, e que sabe das coisas da paulicéia. Pra desvairar. O Luiz Antônio, sabe, o Capilé, amigo desde os anos 80 e que veio a se tornar um grande músico, reside faz horas em São Paulo. Me chamou pro Sesc Instrumental, que rolava na Consolação. Topei na hora.

Ainda bem. Tive a chance de ver um jurássico da boa música brasileira, o menestrel da gaita, Maurício Einhorn, que tem 86 anos e está num invejável nível de profissionalismo.

Einhorn nasceu no Rio, filho de imigrantes judeus poloneses. Seus pais eram gaitistas, e daí que ele começou a tocar gaita com cinco anos de idade. Apresentou um repertório totalmente autoral, acompanhado pelos excelentes músicos  Natan Gomes (piano), Luiz Alves (baixo) e João Cortez (bateria).

Durante pouco mais de uma hora, a apresentação (ingresso gratuito) evidenciou um repertório onde os instrumentos contracenavam com delicadeza e harmonia impressionantes. oscilando com as sonoridades intimistas da gaita. Sabe aquela coisa que acariciam as nossas audições e derrubam-nos o queixo? Foi isso. E essa opinião, posso garantir, não foi só minha. Ao final os músicos foram ovacionados em pé, durante vários minutos, por uma plateia que, pelo menos musicalmente, teve o privilégio de começar bem a semana.

gaita

Luiz Alves, Maurício Einhorn e João Cortez. Entrosadíssimos e brilhantes. Faltou na foto o pianista Natan Gomes, que estraçalhou

 


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