POESIA

Marília Garcia

De Dentro da Caixa Verde*

I

Como o sulco da caligrafia
chegando toda semana. como
o pulôver vermelho
que veste agora (não era
a volta para casa, um consolo, nem
a limusine negra veio buscá-la
de outro poema)

uma noite que se estende
com os ruídos de um sono
ausente - e se você levanta num
entressonho, parace outra cidade, quando chega
a luz do dia muito antes da hora - não sei
em que mapa ficou leeds
nem aquele passeio de mãos dubitativas
em torno da praça.

II

de vestido amassado no pico
da montanha (o ponteiro dos segundos
rabisca o silêncio): - não sou
felice, sorria com calma, de dedos 
trêmulos - é uma relação
virtual, eu vibro como esta estrada - olhos de gato
no escuro concreto, do banco
da frente nem suspeitava da perseguição. nem suspeitava
das vozes que vem do oceano
(algum barco ainda aguarda
na enseada?)

III

sobre a mala
a caixa de chá (não o desejo
de contar os aviões partindo
na pista sobre o mar) na passagem tinha impresso
o retorno (temos os dias contados? para
onde vai? sua voz de neblina no escuro)

 

*Reproduzido de http://www.germinaliteratura.com.br

 

Marília Garcia, poeta brasileira

 


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