ESCAFANDRO

O tyrannus oswaldeando



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Oswald retratado por Anita Malfatti, com quem não foi casado II

Eu adoro Oswald de Andrade e alguns de seus principais versos ribombam em minha cabeça desde quando os li pela primeira vez. Irreverente e combativo, esse paulistano é a pauta do tyrannus nesta edição. 

Bastante por ter nascido em onze de janeiro, e um pouco menos pela carência de agitos culturais, coisa que é muito comum nesta época do ano. E esse relativo marasmo, no que tange ao factual, vai se arrastar até fevereiro, ou sei lá quando, já que o carnaval que tem sua data variada de ano pra ano, é aquilo que costuma dar a largada - pra valer, no curso do tempo nesta terra em que vivemos.

Oswald (1890-1954) tem suas obras "Manifesto do Pau-Brasil" e "Manifesto Antropófago" apontadas como suas mais robustas contribuições para a cultura brasileira, segundo especialistas.

No "Pau-Brasil" ele apresentou as noções estéticas norteadoras do seu trabalho em poesia e de outros modernistas brasileiros, influenciando também a escrita de poetas estrangeiros, como o francês Blaise Cendrars.

Já "Antropófago" foi um manifesto literário escrito por Oswald de Andrade, onde Oswald fundamentou a Antropofagia. Leu-o em 1928 para seus amigos na casa de Mário de Andrade. O manifesto foi publicado na Revista de Antropofagia, que ele ajudou a fundar com Raul Bopp e Antônio de Alcântara Machado. 

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Oswald retratado por Tarsila, com quem foi casado

José Oswald de Sousa de Andrade foi escritor, ensaísta e dramaturgo. Em 1922, foi um dos principais promotores da emblemática Semana de Arte Moderna. É justo citá-lo como um dos grandes nomes do modernismo literário brasileiro.

Com unhas, dentes e versos, defendia que a poesia moderna tinha que ser objetiva e mostrar somente aquilo que realmente enxerga. Ou seja, não procurar o belo no feio ou vice-versa.

Oswald foi casado com três mulheres. Sempre breves temporadas. O casamento mais longo foi com Maria Antonieta d´Alkimin, sua última esposa. De 1944 até 1954, ano do falecimento do poeta. Antes disso, foi esposo de duas mulheres, que também se destacaram no cenário cultural.

Entre 1926 e 29 foi casado com a artista plástica Tarsila do Amaral (1886-1973). Logo após separar-se dela, desposou Patrícia Rehder Galvão (1910-1962), com a qual ficou de 1930 a 1935. Pagu, como era conhecida a segunda esposa de Oswald, foi escritora, poeta, diretora de teatro, tradutora, desenhista, cartunista, jornalista e militante política. 

malfatti

Oswald retratado por Anita Malfatti, com quem não foi casado

No mais, versos do cara

Três de maio

Aprendi com meu filho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi

Escafandro

Debalde
o homem foi ao bordel

A poesia ficou nua entre grades como um meridiano
Mas tu escalaste o missal das janelas
E libertaste a alga da Bíblia nas piscinas

Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

Cidades

Foguetes pipocam o céu quando em quando
Há uma moça magra que entrou no cinema
Vestida pela última fita
Conversas no jardim onde crescem banco
Sapos
Olha
A iluminação é de hulha branca
Mamães estão chamando
A orquestra rabecoa na mata

pagu

Oswald e Pagu, com quem foi casado

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Oswald e Tarsila a bordo de um navio

 


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