POESIA

Carol Ann Duffy

Aprendizado para o ócio*

 

Hoje vou matar alguma coisa. Qualquer coisa.
Cansei de ser ignorada e hoje
vou brincar de ser Deus. É um dia comum,
meio cinza com o tédio movendo-se pelas ruas.

 

Esmago uma mosca contra a janela com meu dedão.
Fazíamos isso na escola. Shakespeare. Era em uma
outra língua e agora a mosca está em outra língua.
Eu expiro talento contra o vidro e escrevo meu nome.


Sou um gênio. Eu poderia ser o que quisesse, com metade
da sorte. Mas hoje mudarei o mundo.
O mundo de algo. O gato me evita. O gato
sabe que sou um gênio e se escondeu.

 

Despejo o peixinho na privada. Puxo a descarga.
Vejo que é bom. O periquito entra em pânico.
A cada quinze dias, ando as dez quadras até a cidade
e me candidato. Eles não gostam do meu autógrafo.

 

Não há mais nada para matar. Ligo para o rádio
e digo pro cara que quem fala é uma celebridade.
Ele desliga na minha cara. Pego nossa faca de pão e saio.
O asfalto brilha de repente. Toco teu braço.

 

*Reproduzido de https://escamandro.wordpress.com, com tradução de Bernardo Beledeli Perin 

 

Carol Ann Duffy, poetisa da Escócia


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