SERGIO LARRAIN

"...Um Retângulo na Mão"



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Peru - 1960

Foi durante uma viagem pela Europa e Oriente Médio que o chileno Sergio Larrain (1931-2012) largou mão da sua faculdade de engenharia ambiental. O futuro veio a comprovar que fez a opção correta. Abandonou o curso e começou uma carreira como fotógrafo freelancer. Cravou o seu nome entre os grandes profissionais da imagem no mundo.

"Sergio Larrain: um Retângulo na Mão", em maio de 2018, esteve em cartaz no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro. Agora, a mostra está no IMS de São Paulo onde permanece até nove de setembro. A curadoria é de Agnès Sire.

"Ele ainda é pouco conhecido porque nunca se interessou pelas galerias, por exemplo. Seu sonho era apenas ser fotógrafo", explicou ao El País Agnès Sire, colega de profissão e curadora da mostra, que começou em 2013, na França, e já passou pela Inglaterra, Chile, Colômbia e Argentina.

A fotografia de Larrain tem a ver com o Brasil, de certa maneira. O seu primeiro trabalho mais consistente foi na revista carioca O Cruzeiro Internacional. Serviu para aguçar seu interesse pelo fotojornalismo e pavimentou o caminho para que se tornasse membro da prestigiada agência Magnum. 

recorte

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Chile - 1952

O começo da carreira, as viagens internacionais e o olhar amadurecido de volta à terra natal são alguns temas abordados na mostra do IMS. Sua fotografia, necessário dizer, salta para além da simples reprodução de uma imagem e dialoga com outras artes.

Uma de suas fotografias, por exemplo, inspirou o argentino Julio Cortazar (a914-1984) a escrever "Las Babas del Diablo" (1959), que conta a história do envolvimento acidental de um fotógrafo com um crime de morte. E depois deu origem ao filme "Blow Up" (1968), do cineasta italiano Michelangelo Antonioni (1912-2007).

O fotógrafo Sergio Larrain nasceu em Santiago no Chile, em 1931, e morreu aos 81 anos, em fevereiro de 2012. Começou cedo, em 1949, a trabalhar com fotografia, mas a vida que levou cercada de mistérios encerrou sua carreira no final dos anos 1960, quando saiu de cena em busca de desenvolvimento espiritual e iluminação. 

Deixou para trás histórias surpreendentes como o dia em que rasgou algumas páginas e jogou no lixo toda a edição do fotolivro "El retangulo em la mano" (1963), título que dá nome à exposição em pauta.

Suas fotos resistem a classificações: não se enquadram totalmente no “novo fotojornalismo” promovido pela revista americana Life, ou mesmo pela Magnum, tampouco nos critérios fechados da fotografia moderna. 

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Chile - 1957

Com ênfase no ser humano, seu “estilo” era marcado por composições nada óbvias, em que o chão se faz muito presente, os horizontes aparecem muitas vezes inclinados e figuras surgem desfocadas em primeiro plano, como a observar a foto que acontece atrás de si. A câmera é seu “retângulo na mão”, como dizia. Através dela, Larrain captura o mundo com um olhar vivaz e despreocupado de convenções.

O escritor chileno Roberto Bolaño  (1953-2003) tinha uma maneira muito própria de definir o conterrâneo: “Tenho a impressão de que Larrain é o turista perfeito, o turista-medusa, [...] a quem foi concedido um olhar que também é uma forma de se mover. Rápido, ágil, jovem e indefeso, Larrain observa a cidade que é um labirinto e, ao fazê-lo, também nos observa.” Noutras palavras, para Bolaño, Larrain era como um personagem e tanto por trás das câmeras.

Em 1982, escreveu uma breve carta a um sobrinho que lhe pedia conselhos sobre fotografia: "O jogo é buscar a aventura, como um veleiro, soltar as velas. Vagar e vagar por partes desconhecidas e sentar-se debaixo de uma árvore quando se está cansado, comprar uma banana ou uns pães, pegar um trem e ir a um lugar que você goste e olhar, desenhar também, e olhar. Sair do mundo conhecido, entrar no que você nunca viu, deixar-se guiar pelo gosto, ir a muitos lugares. Pouco a pouco você vai encontrando coisas e as imagens vão surgindo". (*com informações de vários sites)

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Chile - 1956

 


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