EXPOSIÇÃO

"Rosana Paulino: A Costura da Memória"



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Um dos destaques da mostra é a "Parede da Memória”, instalação criada quando Rosana ainda era estudante

Após temporada de sucesso na Pinacoteca, em São Paulo, a exposição “Rosana Paulino: A Costura da Memória” está no Museu de Arte do Rio - MAR, onde permanece até 25 de agosto. É a maior individual da artista já realizada no Brasil. São 140 obras produzidas ao longo dos seus 25 anos de carreira. Assinada por Valéria Piccoli e Pedro Nery, curadores do museu paulistano, a mostra reúne esculturas, instalações, gravuras, desenhos e outros suportes, que evidenciam a busca da artista no enfrentamento com questões sociais, destacando o lugar da mulher negra na sociedade brasileira.

Rosana Paulino surge no cenário artístico nos anos 1990 e se distingue, desde o início de sua prática, como voz única de sua própria geração. Os trabalhos selecionados, realizados entre 1993 e 2018, mostram que sua produção tem abordado situações decorrentes do racismo e dos estigmas deixados pela escravidão que circundam a condição da mulher negra na sociedade brasileira, bem como os diversos tipos de violência sofridos por esta população.

Um dos destaques da mostra é a “Parede da Memória”. Realizada quando a artista ainda era estudante, a instalação é composta por 11 fotografias da família Paulino que se repetem ao longo do painel, formando um conjunto de 1.500 peças. As fotos são distribuídas em formatos de “patuás” – pequenas peças usadas como amuletos de proteção por religiões de matriz africana. O mural se transforma em uma denúncia poética sobre a invisibilidade dos negros e negras que não são percebidos como indivíduos. Quando os 1.500 pares de olhos são postos na parede, “encarando” as pessoas, eles deixam de ser ignorados.

A exposição também conta com uma série lúdica de desenhos feitos por Rosana Paulino, na qual a artista revela sua fascinação pela ciência e, em especial, pela ideia da vida em eterna transformação. Os ciclos da vida de um inseto são feitos e comparados com as mutações no corpo feminino, por exemplo. A instalação Tecelãs (2003), composta de cerca de 100 peças em faiança, terracota, algodão e linha, leva para o espaço tridimensional o tema da transformação da vida explorado nos desenhos.

Em alguns de seus trabalhos a relação de ciência e arte é destacada, como em "Assentamento" (2013). A série retrata gravuras em tamanho real de uma escrava feitas por Ausgust Sthal para a expedição Thayer, comandada pelo cientista Louis Agassiz, que tinha como objetivo mostrar a superioridade da raça branca às demais. Para Paulino, “a figura que deveria ser uma representação da degeneração racial a que o país estava submetido, segundo as teorias racistas da época, passa a ser a figura de fundação de um país, da cultura brasileira. Essa inversão me interessa”, finaliza a artista. 

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A artista já expôs ou tem suas obras presentes em países como Portugal, África do Sul, Estados Unidos e Bélgica

Sobre a artista

Nascida em São Paulo, em 1967, Rosana Paulino é doutora em Artes Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – Eca/USP, e especialista em gravura pelo London Print Studio, de Londres e Bacharel em Gravura pela Eca/USP. 

Foi bolsista do programa da Fundação Ford nos anos de 2006 a 2008 e Capes, de 2008 a 2011. Em 2014 foi agraciada com a bolsa para residência no Bellagio Center, da Fundação Rockefeller, em Bellagio, Itália e em 2017 foi vencedora do dos Prêmio Bravo e ABCA – Associação Brasileira dos Críticos de Arte, na modalidade Arte contemporânea.

Possui obras em importantes museus tais como MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo; UNM – University of New Mexico Art Museum, New Mexico, USA e Museu Afro-Brasil – São Paulo.

Tem participado ativamente de diversas exposições, tanto no Brasil como no exterior, das quais se destacam a individual "Atlântico Vermelho", no "Padrão dos Descobrimentos" em Lisboa, Portugal (2017), e "Mulheres Negras – Obscure Beauté du Brésil. Espace Cultural Fort Grifoon à Besançon, França (2014).

Também marcou presença em exposições coletivas: "South-South: Let me Begin Again", na África do Sul; "Territórios: Artistas Afrodescendentes", na Pinacoteca de São Paulo;  "Incorporations. Europália", na Bélgica; "Roots and more: the journey of the spirits", na Holanda, entre outras. (*com assessoria)

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Em alguns de seus trabalhos a relação de ciência e arte é destacada, como em "Assentamento"

 


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