ESPETÁCULO INCRÍVEL

Público ovacionou bailarinos



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Dança Sinfônica

Quer fazer sucesso na vida, quer saber usar o seu corpo de forma espetacular? Pois bem, quando ainda estiveres na barriga da sua mãe comece a se preparar para o ingresso futuro no Grupo Corpo... chegando aqui e depois lá, você vai sair dançando pela vida e pelo mundo afora, livre, leve e solto!

Morando em Cuiabá, fico a pensar que talvez seja necessário que eu viva pelo menos mais trezentos anos para ver, novamente, a façanha dessa boniteza que é dançar muito mais do que conforme a música. 

Quando a gente se depara com um espetáculo tão grandioso, como foi a performance da companhia de dança mineira que já rodou pelo mundo, em Cuiabá, para celebrar os 300 anos da nossa cidade, qualquer coisa que se escreva corre o risco de não ficar à altura do que se viu. Mas, um jornalista experiente pode e deve dizer que é apenas um registro. Palavras verdadeiras movidas pela emoção de presenciar. Já é alguma coisa. Que coisa!

Um ginásio de esportes não é o local mais apropriado para qualquer que seja a manifestação artística. Justifica-se a escolha do Aecim Tocantins, que pode abrigar até onze mil pessoas, pelo fato de se tratar de um espetáculo gratuito. Assim sendo, cinco mil ingressos foram distribuídos e acredito que pouco mais de três mil pessoas estavam lá. No meio dessa multidão, eu... eu que adoro a dança, mas que pouco sei, tecnicamente, sobre essa arte. 

O público vário em níveis de classe social e faixa etária se deleitou com a primorosa dança contemporânea do Corpo. Duas peças foram encenadas e arrancaram aplausos calorosos. Na verdade, os bailarinos foram ovacionados pela plateia que aplaudiu, gritou e assobiou. Da parte dos artistas, um recado muito bem dado e, quanto ao público, a plenitude da satisfação por ter assistido a algo inesquecível.

Em "Dança Sinfônica", composição de Marco Antônio Guimarães, do grupo Uakti, de música instrumental, a sensualidade foi arrebatadora. Os bailarinos movimentavam-se com uma suavidade espontânea, explorando as nuances das sonoridades que se alternavam, enfatizando diferentes instrumentos sinfônicos ao longo de 50 minutos.

A coreografia encaixadíssima na proposta musical manteve uma certa linearidade, sem grandes surpresas, mas sem deixar que o encantamento fosse interrompido em momento algum. Bailarinos numa entrega plena ao gesto que surge provocado pela sonoridade, executando movimentos criativos e super elaborados, que só se materializam no belo, pelo casamento da técnica com a inspiração. 

"Dança Sinfônica", enquanto música, passeia com liberdade audaciosa pelos contornos da erudição musical, mas também não abre mão da necessidade do experimental que faz a fila andar. Essa combinação parece ter caído do céu para a coreografia criada por Rodrigo Pederneiras, artista seminal do Corpo. E seus bailarinos pareciam marionetes com vida própria.   

Fechou o programa a coreografia "Parabelo", também de Rodrigo Pederneiras, criada para a composição de Tom Zé e Zé Miguel Wisnik. Wisnik é músico, compositor e ensaísta, com larga formação literária. E Tom Zé é aquela coisa toda, artista talentoso e extremamente criativo, cujo carisma passa ao largo do conflito de gerações.

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Parabelo

Com dois Zés ancorando o som, nada mais natural do que "Parabelo" se enveredar pela cultura popular brasileira. É quando a coreografia cresce em sua carga dramática na carona das alternâncias sonoras, às vezes, bastante inesperadas. E além do instrumental, cantorias muito apropriadas, geram uma encenação musical bastante diferente da primeira dança apresentada. 

Essa diversidade, essa diferença no que se ouve, entretanto, só funcionou como mais lenha na fogueira, naquela verve que incendeia os bailarinos em cena. E aqui retorno ao que já disse no segundo parágrafo deste texto: dançar muito mais do que conforme a música.

Bom, para fechar o texto, devido ao adiantado da hora e um certo receio de discorrer livremente sobre uma arte que estou longe de dominar - a dança, só mais uma consideração: os bailarinos do Grupo Corpo me pareceram mais entidades religiosas a incorporar aquilo que o coreógrafo exigia, do que qualquer outra coisa (que coisa!). 

Duvido muito (minha opinião, só isso) que Cuiabá e seu povo caloroso recebam um outro presente mais expressivo a celebrar o tricentenário da cidade, do que a performance do Corpo. 

Resta dizer que a iniciativa da Energisa em trazer a companhia de dança à capital de Mato Grosso configura-se como um dever de casa bem feito. O que não deixa de ser, também, uma obrigação.

 

  


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