POESIA

Marianne Moore

Uma Cova*

 

Homem mirando o mar,
tirando a visão daqueles que têm tanto direito a ela quanto você tem,
é da natureza humana ficar no meio das coisas,
mas no meio desta você não pode ficar.
O mar nada tem a dar a não ser uma cova bem cavada.
Os abetos se erguem em procissão, cada qual com um pé de peru
esmeralda no alto,
discretos como seus contornos, dizendo nada;
repressão, no entanto, não é a mais óbvia característica do mar;
o mar é um coletor, pronto para devolver um olhar rapace.
Outros fora você ostentaram este olhar –
cuja expressão não é mais um protesto; os peixes não mais o 
investigam
porque seus ossos não sobreviveram:
os homens lançam redes, inconscientes de que profanam uma cova,
e partem vogando velozes – as pás dos remos
movendo-se juntas que nem patas de aranhas-aquáticas, como se
não existisse a morte.
Os franzidos das águas marcham em falange – belos sob as malhas
de espuma,
e somem arfando enquanto o mar vai e vem bramindo entre as 
plantas marinhas;
os pássaros cruzam o ar num zás, soltando guinchos como dantes –
a concha da tartaruga açoita os pés das rochas, em movimento
embaixo delas;
e o oceano, sob a pulsação de faróis e ruídos de boias sonoras,
avança como sempre, como se não fosse o oceano no qual as coisas
que caem estão fadadas a afundar –
no qual, se se viram e reviram, é sem vontade e sem consciência.

 

*Reproduzido de https://escamandro.wordpress.com, tradução de José Antonio Arantes

Marianne Moore (1887-1972), poeta dos Estados Unidos

 


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