LANÇAMENTO

Livro chega na sexta, no Arsenal



osmar cabral

lucinda

"Creio que para todo poeta, uma das maiores preocupações ao escrever reside justamente em encontrar as palavras exatas ou que se ajustem à emoção frente ao objeto que lhe atrai os sentidos"

Na sexta-feira (14) tem livro novo de Lucinda Persona que chega. A partir das 19h, na choperia do Sesc Arsenal será lançado "O passo do instante" (Entrelinhas), que traz os versos mais recentes da descolada autora adotada por Mato Grosso.

capa

Livro celebra os 25 anos da Editora Entrelinhas

A obra tem 104 páginas e sua capa traz ilustração da artista plástica Regina Pena, que também ilustrou "Entre uma noite e outra", livro anterior de Lucinda. A autora dedica o livro ao seu filho Walter Gustavo “que em sua vida curta foi a própria encarnação do instante”.

O lançamento comemora os 25 anos da editora e o livro é apresentado pelo crítico literário Marcos Pasche, professor de Literatura Brasileira da UFRJ e por Raquel Naveira (MS), escritora, crítica literária e professora universitária.  

É o sétimo livro de poesia da escritora, com o qual rende tributo sobretudo ao tempo. Sem perder contato com o simples, maximizando o mínimo e acercando-se cada vez mais dos elementos cotidianos, a poeta permeia o diário viver de todos nós, ora com rajadas de alegrias, ora com olímpicas tristezas. Nada fica de lado, nem o que foi luz, nem o que foi sombra.

Assim, do ponto de vista das imagens principais, “O passo do instante” passa pelos caminhos da realidade e das impermanências no torvelinho do tempo, registra inquietações e momentos marcantes que pulsam num espaço essencial absolutamente propenso à perspectiva do poema, conforme sugere o “eu” lírico. Na obra, tornam-se flagrantes o contexto e o vínculo com um universo onde elementos cotidianos estão em rotação.

Ao ter a escrita como um dos modos de sobrevivência e celebração (sinalizados através das epígrafes de Clarice Lispector e Walt Whitman), a autora fala das coisas que nos cercam: paisagens (urbanas ou não), certas atmosferas, noturnos, memórias, amores. E fala também do fazer poético em si, deixando entrever que é fascinante entregar a palavra à poesia, mas ao mesmo tempo é um defrontar-se com difícil causa, algo que é dimensionado já nos primeiros versos.

 “Passo é uma partícula de caminhada; instante, uma faísca de tempo. De um livro que em seu nome estampa esses termos, pode-se esperar a captação de lampejos existenciais. [...] Que por início, então, a jornada da leitura se inicie e desperte vigor e encantamento”, convida o crítico literário Marcos Pasche.

Abaixo, uma conversa entre o tyrannus e Lucinda. 

Ao escrever sua poesia, no geral, existe algo que poderíamos chamar de estopim para quem verseja? Tipo uma paisagem, um acontecimento cotidiano insólito, um estado de espírito ou qualquer outra coisa. No seu caso existe esse possível padrão que estou sugerindo?

Começando pela indagação final, sem dúvida, digo-lhe um SIM maiúsculo a esse padrão sugerido. Haveria muito a referir sobre esse “estado de espírito” que, em mim, é constante. Vivo contaminada pela poesia e a escrita é um imperativo maior. O poema ocorre em diversas circunstâncias. Incontáveis elementos funcionam como “estopim” ou ainda como símbolos que vão estruturando minha poética.

Vem por aí, um texto em que busco aclarar, além do significado da poesia, como acontece o processo de criação. Faço uma aproximação a vários aspectos da esfera criativa. E assim, de instante a instante vou entregando palavras à poesia.

lucinda verso

 

Poetas costumam patinar diante de seus versos e nem sempre os elegem como publicáveis. Você padece com situações dessa natureza? O que a leva a achar que este ou aquele poema está ao ponto pra ser compartilhado?

Creio que para todo poeta, uma das maiores preocupações ao escrever reside justamente em encontrar as palavras exatas ou que se ajustem à emoção frente ao objeto que lhe atrai os sentidos. Não é fácil trabalhar com a linguagem, com os símbolos que fervilham no espírito e com a escolha da palavra ideal, misteriosa, simples e ao mesmo tempo ofuscante. Neste novo livro em lançamento, expresso as agruras do ofício desde o primeiro verso.  Não sei exatamente o que me leva a decidir que um poema esteja pronto para ser compartilhado. Afinal, como estimar peso e medida nessa esfera? De qualquer modo, ponho em jogo minha faculdade de percepção estética, de julgamento sensato e de penetração no corpo do poema. Releio incontáveis vezes, faço um circuito no poema todo, em cada verso e até em cada palavra, mas não na velocidade dos automobilistas. Tento manobras mirabolantes como por exemplo tomar a temperatura do verso, e procuro até (em que pese a fantasia) medir a condutividade térmica e elétrica. O que posso garantir é que faço tudo sem cansaço e com íntima alegria. Certamente, desejando que o poema faça sentido ao leitor, o verdadeiro comprovante de que a poesia está ali.

Eu tenho diagnosticado uma espécie de explosão literária na produção mato-grossense. E acho que vai concordar comigo. Então, diz aí quais os principais motivos que você aponta como responsáveis por essa expansão das nossas letras.

Concordo plenamente com essa considerável produção que se verifica em Mato Grosso. Quais os principais motivos? Com certeza os mais variados, pois alguns se relacionam ao universo particular de cada escritor que se soma.

Só posso dizer que é fabuloso esse sopro de bons ventos e é maravilhoso que exista um contingente cada vez maior de autores dedicados a essa arte reconfortante que é a escrita. Por outro lado, vale referir um aumento de interesse pela produção local, tanto por parte de leitores em geral, quanto da parte acadêmica, tendo em vista o aumento de obras estudadas em universidades e outras escolas. Há professores e outros profissionais que trabalham visando a expansão literária. Há oportunidades para autores inéditos. Há maior movimento das Letras, estímulo da leitura, contando também o papel fundamental das editoras.

Pra fechar esta curta conversa, na sua opinião, o que pode e deve ser feito para otimizar essa efervescência?

Agora a sabatina ficou difícil. Mas, vejamos. Essa efervescência ainda está em processo. Portanto, pode se tornar mais expressiva. Creio que a atitude otimista já é um passo. Acho até que já existem iniciativas no sentido de determinar esse valor ótimo, mas há muito a ser feito.

No calor do instante, registro o meu imenso OBRIGADA,

Com versos de Cecília Meireles: “Somos um ou dois? Às vezes, nenhum. / E em seguida tantos! A vida transborda / por todos os cantos”.

verso lucinda

 

 


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