POESIA

Fabrício Marques

 

trocas*

Como pássaros em bando
que migram de um país a outro
atravessam o Mediterrâneo
escolhem um ponto no horizonte
e seguem na direção contrária
deixo no meu seu olhar
deixo no seu meu coração

desse alto ouço o sino o rufo da chuva trêmula na relva
vejo as cinzas da bandeira os espojos da pátria
a quaresmeira desgalhada
os guizos a hiena descontente o espantalho
ao fundo tocam um spiritual

de um país a outro
numa troca de olhares
resolvemos séculos de atraso

o Mediterrâneo vai ficando pra trás
no princípio era o verbo era o Lácio
noutro princípio eram fantasmas
exaltados no assoalho

Escolho um ponto no horizonte
pra trás fica a civilização
à frente o vazio o delírio
um poema sem valia me socorre

ah spiritual ah cachaça ah vastafala

ser esses pássaros em bando

existir nessa chuva que não para

saber um poema sem valia
ainda vale

 

*reproduzido de https://revistagueto.com

 

Fabrício Marques, poeta brasileiro


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