CONTO

O Homem dos Sonhos*



Nunca soube o seu nome. Julgo que era russo, mas não tenho a certeza. Conheci-o em Paris, num Chartier gorduroso de Boul´Mich, nos meus tempos de estudante falido de Medicina.

Todas as tardes jantávamos à mesma mesa, de forma que um dia entabulámos conversa.

Era um espírito original e interessantíssimo; tinha opiniões bizarras, ideias estranhas – como estranhas eram as suas palavras, extravagantes os seus gestos. Aquele homem parecia-me um mistério. Não me enganava, soube-o mais tarde: era um homem feliz. Não estou divagando: era um homem inteiramente feliz - tão feliz que nada lhe pode aniquilar a sua felicidade. Eu costumo dizer, até, aos meus amigos que o fato mais singular da minha vida é ter conhecido um homem feliz.

O mistério, penetrei-o uma noite de chuva – uma noite muito densa, frigidíssima. Eu começara amaldiçoando a vida, e, num tom que lhe não era habitual, o meu homem apoiou:

– Tem razão, muita razão! É uma coisa horrível esta vida – tão horrível que se não pode tornar bela! Olhe um homem que tenha tudo: saúde, dinheiro, glória e amor. É-lhe impossível desejar mais, porque possui tudo quanto de formoso existe. Atingiu a máxima ventura, e é um desgraçado.

Pois há lá desgraça maior que a impossibilidade de desejar!

«E creia que não é preciso muito para chegarmos a tamanha miséria. A vida, no fundo, contém tão poucas coisas, e é tão pouco variada... Olhe, em todos os campos. Diga-me: ainda se não enjoou das comidas que lhe servem desde que nasceu? Enjoou-se, é fatal; mas nunca as recusou porque é um homem, e não pode nem sabe dominar a vida. Chame os mais belos cozinheiros. Todos lhe darão legumes e carnes – meia dúzia de espécies vegetais, meia dúzia de espécies animais. Mesmo na terra, o que não for animal ou vegetal é sem dúvida mineral... Eis o que demonstra bem a penúria inconcebível da Natureza!

«E quanto aos sentimentos? Descubra-me algum que, no fim de contas, se não reduza a qualquer destes dois: amor ou ódio. E as sensações? Duas também: alegria e dor. Decididamente, na vida, anda tudo aos pares, como os sexos. A propósito: conhece alguma coisa mais desoladora do que isto de só haver dois sexos?

«Mas voltando ao campo material. Arranje-me um divertimento que não seja a religião, a arte, o teatro ou o esporte. Não me arranja, asseguro-lhe. Com certeza o que existe de melhor na vida é o movimento, porque, caminhando com uma velocidade igual à do tempo, no-lo faz esquecer. Um comboio em marcha é uma máquina de devorar instantes – por isso a mais bela que os homens inventaram.

«Viajar é viver o movimento. Mas, ao cabo de pouco viajarmos, a mesma sensação da monotonidade terrestre nos assalta, bocejantemente nos assalta. Por roda a banda o mesmo cenário, os mesmos acessórios: montanhas ou planícies, mares ou pradarias e florestas – as mesmas cores: azul, verde e sépia – e, nas regiões polares, a brancura cegante, ilimitada, expressão-última da monotonidade. Eu tive um amigo que se suicidou por lhe ser impossível conhecer outras cores, outras paisagens, além das que existem. E eu, no seu caso, teria feito o mesmo.

Sorri, ironicamente observando:

– Não o fez contudo ...

– Ah, mas por quem me toma? .. Eu conheço outras cores, conheço outros panoramas. Eu conheço o que quero! Eu tenho o que quero!

Fulguravam-lhe os estranhos olhos azuis; chegou-se mais para mim e gritou:

– Eu não sou como os outros. Eu sou feliz, entenda bem, sou feliz!

Era tão singular a sua atitude, tão especial o tom da sua voz, que julguei estar ouvindo um louco, e senti um desejo infinito de pôr termo à conversa. Mas não havia pretexto. Tive que ficar, e, a partir deste momento, o homem bizarro, sem se deter um instante, fez-me a seguinte admirável confissão:

«É bem certo. Eu sou feliz. Nunca dissera a ninguém o meu segredo. Mas hoje, não sei porquê, vou-lho contar a si. Ah!, supunha nesse caso que eu vivia a vida? ... Triste ideia fez de mim! Julguei que me tivesse em melhor conta. Se a vivesse, há muito já que teria morrido dela. O meu orgulho é indomável, e o maior vexame que existe é viver a vida. Não me canso de lho gritar: a vida humana é uma coisa impossível – sem variedade, sem originalidade. Eu comparo-a à lista dum restaurante onde os pratos sejam sempre os mesmos, com o mesmo aspecto, o mesmo sabor.

«Pois bem! Eu consegui variar a existência – mas variá-la quotidianamente. Eu não tenho só tudo quanto existe – percebe? – eu tenho também tudo quanto não existe. (Aliás, apenas o que não existe é belo.) Eu vivo horas que nunca ninguém viveu, horas feitas por mim, sentimentos criados por mim, voluptuosidades só minhas – e viajo em países longínquos, em nações misteriosas que existem para mim, não porque as descobrisse, mas porque as edifiquei. Porque eu edifico tudo. Um dia hei-de mesmo erguer o ideal – não obtê-lo, muito mais: construí-lo. E já o entrevejo fantástico ... e todo esguio... todo esguio ... a extinguir-se em altura azul ... esculpido em vitória... resplandecendo ouro ... não, mas um metal mais áureo do que o ouro ...

«De resto, é evidente, faltam-me as palavras para lhe exprimir as coisas maravilhosas que não existem ... Ah! o ideal ... o ideal ... Vou sonhá-lo esta noite ... Porque é sonhando que eu vivo tudo. Compreende? Eu dominei os sonhos. Sonho o que quero. Vivo o que quero.»

«As viagens maravilhosas que tenho feito. Vou-lhe contar algumas ... A mais bela é esta, porque foi a mais temível:

«Eu estava farto de luz. Todos os países que percorrera, todos os cenários que contemplava, inundava-os a luz do dia, e, à noite, a das estrelas. Ah!, que impressão enervante me causava essa luz eterna, essa luz enfadonha, sempre a mesma, sempre tirando o mistério às coisas... Assim parti para uma terra ignorada, perdida em um mundo extra-real onde as cidades e as florestas existem perpetuamente mergulhadas na mais densa treva ... Não há palavras que traduzam a beleza que experimentei nessa região singular. Porque eu via as trevas. A sua inteligência não concebe isto, decerto, nem a de ninguém ...

«Era uma capital imensa ... Os bulevares rasgavam-se extensíssimos, sempre ascendendo, ladeados por grandes árvores; a multidão pejava-os girando silenciosa, e os veículos – os trens, os grandes ônibus, os automóveis – rodavam isocronamente num clangor soturno. E todo aquele silêncio se reunia em música. Ah!, que estranho calafrio de medo me varou, delicioso e novo, o corpo dispersado! Em face dos meus olhos abria-se uma vida misteriosa, enfim, porque a luz a não iluminava!... Espectáculo soberbo e pavoroso! Eu via a treva!... Eu via a treva! ... No recanto duma rua perdida encontrei dois amantes a morderem-se nas bocas. Ai, como deviam ser grandiosos aqueles beijos profundos na suprema negrura das trevas densíssimas!... Mais longe assisti a uma cena de sangue: cruzavam-se estiletes, havia gritos de dor... Nunca vivi um momento mais temível do que esse... E, pelos arrabaldes, os vinhedos carregados de frutos, os trigais maduros, as searas e os pomares que o vento balanceava ... toda a vida, em suma, toda a vida, na escuridão impenetrável... Que triunfo! Que triunfo!. ..

«Glória maior foi talvez a que atingi na minha viagem a um mundo perfeito onde os sexos não são dois só... Pude ver labirintos de corpos entrelaçados a possuírem-se numa cadeia de espasmos contínuos, sucessivos e atuais, que se prolongavam uns pelos outros em fuga distendida ... Infinito!

Infinito! Era, ruivamente era, o cântico aureoral da carne, a partitura sublime da voluptuosidade que fremiam todos esses sexos diferentes vibrando em turbilhões... A vida a deslizar em ondas... a vida a deslizar em ondas!... »

«Narrar-lhe todas as minhas viagens seria impossível. No entanto quero-lhe falar ainda doutro país.

«Que estranho país esse... Todo duma cor que lhe não posso descrever porque não existe – duma cor que não era cor. E eis no que residia justamente a sua beleza suprema. A atmosfera deste mundo, não a constituía o ar nem nenhum outro gás – não era atmosfera, era música. Nesse país respirava-se música. Mas o que havia de mais bizarro era a humanidade que o povoava. Tinha alma e corpo como a gente da terra. Entanto o que era visível, o que era definido e real – era a alma. Os corpos eram invisíveis, desconhecidos e misteriosos, como invisíveis, misteriosas e desconhecidas são as nossas almas. Talvez nem sequer existissem, da mesma forma que as nossas almas talvez não existam também... 

«Ah!, que sensações divinas vivi nesse país!... O meu espírito ampliou-se... Tive a noção de perceber o incompreensível... Hei-de talvez lá voltar um dia, a esse país sem igual, a esse país d'Alma...

«Em suma, meu amigo, eu viajo o que desejo. Para mim há sempre novos panoramas. Se quero montanhas, escuso de ir à Suíça: parto para outras regiões onde as montanhas são mais altas, os glaciares mais resplandecentes. Há para mim uma infinidade de cenários montanhosos, todos diversos, como há também mares que não são mares e extensões vastíssimas que não são montes nem planícies, que são qualquer coisa mais bela, mais alta ou mais plana – enfim, mais sensível! O mundo para mim ultrapassou-se: é universo, mas um universo que aumenta sem cessar, que sem cessar se alarga. Quer dizer, não é mesmo universo: é mais alguma coisa.»

«No círculo espiritual, também para mim não há barreiras – e tenho sentido, além do amor e do ódio, outros sentimentos que lhe não posso definir, é claro, porque só eu os vivo, não havendo assim a possibilidade de lhos fazer entender nem por palavras, nem por comparações. Sou o único homem que esses sentimentos emocionam. Logo seria desnecessário ter uma voz que os traduzisse, visto que a ninguém a poderia comunicar. Aliás o mesmo acontece com as horas mais belas que tenho vivido. Só lhe posso dizer as que de longe se assemelham às da vida e que por isso exactamente são as menos admiráveis.»

«Agora passo-lhe a esboçar algumas voluptuosidades novas. 

 

«Um corpo de mulher é sem dúvida uma coisa maravilhosa – a posse de dum corpo esplêndido, todo nu, é um prazer quase extra-humano, quase de sonho. Ah!, o mistério fulvo dos seios esmagados, a escorrer em beijos, e as suas pontas loiras que nos roçam a carne em êxtases de mármore... as pernas nervosas, aceradas – vibrações longínquas de orgia imperial... os lábios que foram esculpidos para ferir  de amor... os dentes que rangem e grifam nos espasmos de além... Sim, é belo; tudo isso é muito belo! Mas o lamentável é que poucas formas há de possuir toda essa beleza. Emaranhem-se os corpos contorcidamente, haja beijos de ânsia em toda a carne, o sangue corra até... Por fim sempre os dois sexos se acariciarão, se entrelaçarão, se devorarão – e tudo acabará em um espasmo que há-de ser sempre o mesmo, visto que reside sempre nos mesmos órgãos!...

«Pois bem! Eu tenho possuído mulheres de mil outras maneiras, tenho delirado outros espasmos que residem noutros órgãos.

 

«Ah!, como é delicioso possuir com a vista ... A nossa carne não toca, nem de leve, a carne da amante nua. Os nossos olhos, só os nossos olhos, é que lhe sugam a boca e lhe trincam os seios...

Um rio escaldante se nos precipita pelas veias, os nossos nervos tremem todos como as cordas duma lira, os cabelos sentem, dilatam-se-nos os músculos... e os olhos de longe, vendo, vão exaurindo toda a beleza, até que por fim a vista se nos amplia, o nosso corpo inteiro vê, um estremeção nos sacode e um espasmo ilimitado, um espasmo de sombra, nos divide a carne em ânsia ultrapassada... Atingimos o gozo máximo! Possuímos um corpo de mulher só com a vista. Possuímos fisicamente, mas imaterialmente, como também se pode amar com as almas. Neste caso são mais doces, mais serenos, mas não menos deliciosos, os espasmos que nos abismam.

«Há ainda outra voluptuosidade que, por interessante, lhe desejo esboçar: é a posse total dum corpo de mulher que sabe unicamente a um seio que se esmaga.

«Enfim, meu amigo, compreenda-me: eu sou feliz porque tenho tudo quanto quero e porque nunca esgotarei aquilo que posso querer. Consegui tornar infinito o universo – que todos chamam infinito, mas que é para todos um campo estreito e bem murado.»

Houve um grande silêncio. Pelo meu cérebro ia um tufão silvando, e as imagens fantásticas que o desconhecido me evocara – rodopiantes, pareciam querer no entanto definir-se em traços mais reais. Mas logo que estavam prestes a fixar-se, desfaziam-se como bolas de sabão...

O homem disse ainda:

– A vida é um lugar-comum. Eu soube evitar esse lugar-comum. Eis tudo.

E mandou vir conhaque.

Estive dois dias sem o ver. Quando o encontrei de novo à mesa do restaurante, notei uma expressão diferente no seu rosto. Confessou-me:

– Já conheço o ideal. No fim de contas é menos belo do que imaginava... E o meu amigo que tem feito?

Pusemo-nos a falar de banalidades. Eu quis ainda levar a conversa para a sua vida sonhada, mas todos os meus esforços permaneceram inúteis.

Saímos. Acompanhou-me até casa. Deu-me as boas-noites. Depois, nunca mais o vi.

Largo tempo meditei no homem estranho: meses e meses a sua recordação me obcecou perturbadoramente. Quis também fruir o segredo do dominador dos sonhos. Mas embalde. Não os consegui nunca imperar e, breve, renunciei à quimera dourada.

Desde aí, a minha loucura foi toda ela de esparzir luz, ainda que só luz crepuscular, sobre o mistério admirável.

E um dia finalmente, um dia de triunfo, eu pressenti a verdade. Que vinha a ser aquele homem?

Segredo! Segredo! Eu dele ignorava sempre tudo. Muita vez me acompanhou a minha casa – e eu jamais conhecera onde fosse a sua casa. Afigurara-se-me russo; porém não mo dissera nunca. 

Alto, extremamente alto e magro. Grandes cabelos encrespados, dum loiro triste, fugitivo, e os seus olhos fantásticos de azul, com certeza os olhos mais estranhos que me iluminaram algum dia.

Só os posso evocar nesta incoerência: eram dum brilho fulgurante – mas não brilhavam. A sua voz de calafrio, ressoando abafada e sonora, parecia vir duma garganta falsa que não existisse no seu corpo. Quando se erguia e caminhava, os seus passos ágeis, silenciosos, longos, davam a impressão total de que os seus pés, em marcha aérea, não pousavam no solo: a sua marcha era indecisa – e eis aqui o mais bizarro – como indecisas e brumosas igualmente eram as suas feições. Os seus traços fisionômicos dir-se-iam inconstantes, sendo quase impossível abrangê-los em conjunto: um grande pintor teria uma real dificuldade em fixar na tela o rosto móvel do homem dos sonhos. Quem longas horas o tivesse na sua frente, não o ficava entanto conhecendo: aquele rosto fugitivo não se aprendia em longas horas.

Enfim, da sua fisionomia, do seu andar, dos seus gestos, da sua voz, ressaltava esta impressão: o desconhecido era uma criatura de bruma, indefinida e vaga, irreal... Uma criatura de sonho! – passou-me esta ideia pelo espírito como um relâmpago de claridade. Sim, o meu homem era perfeitamente comparável às personagens que nos surgem nos sonhos e que nós, de manhã, por maiores esforços que empreguemos, não conseguimos reproduzir inteiramente materializadas, porque nos faltam pormenores do seu desenho: se os olhos nos lembram, esqueceu-nos a expressão da boca; se sabemos a cor castanha dos cabelos, fugiu-nos o tom fantástico dos olhos. Em suma, é-nos impossível reconstruir o conjunto da personagem indecisa que entrevimos sonhando. As suas feições escapam-nos – tal como escapavam as feições do homem bizarro.

Queria dizer: o desconhecido maravilhoso era uma figura de sonho – e entretanto uma figura real.

Mas foi precisamente quando, envaidecido, eu suscitara já esta longínqua claridade, que o segredo admirável se me volveu em ideia fixa.

Temi quase endoidecer, e não sei o que teria sido do meu pobre cérebro que a asa do mistério roçara, se por fim não conseguisse mergulhar mais fundo o abismo azul.

Se o homem dos sonhos era uma figura de sonho, mas, ao mesmo tempo, uma criatura real – havia de viver uma vida real. A nossa vida, a minha vida, a vida de todos nós? Impossível. A essa existência odiosa ele confessara-me não poder resistir. Demais, nessa existência, a sua atitude era duma figura de sonho. Sim, duma figura irreal, indecisa, de feições irreais e indecisas. Logo, o desconhecido maravilhoso não vivia a nossa vida. Mas se a não vivia e entretanto surgia vagamente nela, é porque a sonhava.

E eis como eu pude entrever o infinito. O homem estranho sonhava a vida, vivia o sonho. Nós vivemos o que existe; as coisas belas, só temos força para as sonhar. Enquanto que ele não. Ele derrubara a realidade, condenando-a ao sonho. E vivia o irreal. 

Poeira a ascender quimerizada...

Asas d´ouro! Asas d´ouro! ... 

 

*Reproduzido de http://www.esquerda.net

sacarneiro

Mário de Sá-Carneiro (1890-1916) foi um poeta, contista e ficcionista português, um dos grandes expoentes do modernismo em Portugal





 


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