Febre

Febre e sonhos, tudo a ver
Sabe os sonhos movidos ao estado febril? São diferentes, muito diferentes. Tudo é amplificado, e aparecemos no interior de turbilhões, no olho do furacão. Às vezes são ondas gigantes que nos arrastam, longas estradas que nunca chegam. Nesse estado, tenho um sonho recorrente: um gigante tenta pegar com suas imensas mãos objetos pequenos, como agulhas, folhas de papel. A agonia é essa: a impossibilidade. Essa impossibilidade gera no sonhador um estado tão aterrorizante, que não é raro acordar ofegante, suado e aliviado pelo despertar. Como é bom nesse momento, ter uma mão amiga, nos amparando e confortando, com palavras carinhosas de que “foi um sonho, já passou.”


Intransponível

Ontem a noite foi assim. Estava febril, efeito de uma amigdalite conseqüência de um final de semana pra lá de quente. Muito banho gelado (como se fosse possível), muita bebida gelada (como se fosse possível), ventilador a mil, ar condicionado a dois mil. Resultado, doente.

Pois é, ontem estava enjoadinha, cansada, desanimada, sem apetite e com muita dor... Resultado: entrei no antibiótico (isso mesmo, automedicação), fazer o quê? Enquanto o efeito do “mardito” não vinha, tive meus contatos extrasensoriais.

Incompreensível

Sonhei que havia ganhado um livro, com uma dedicatória. Lembro-me da primeira e única palavra manuscrita e intelingivel: “kirida”, o restante era um emaranhado de garranchos, que era impossível entender. Depois me vi num salão imenso conversava com uma mulher idosa, desconhecida, numa situação confusa, novamente a questão era um livro. Perguntava como havia conseguido pegar, tinha um poço perto... E eu tentando justificar, finalmente ela disse não estar chateada e sumiu de cena. Depois estava eu tentando falar com algumas pessoas, como numa sala de aula. Nisso entra um senhor de bigode (parece um personagem do Chico Anysio ou de A Praça é Nossa), que me interrompe. Tento argumentar, ele responde com uns grunhidos. Ele grunhe pausadamente, ininterruptamente, como respondendo a perguntas. Tento argumentar que está me atrapalhando, mais nada o faz parar. Agonia-me não entender seus grunhidos.

De repente, acordo. Dou aquela verificada, me situando. Estou mesmo no meu quarto. Começo a rir. Constato que a pessoa, dono dos grunhidos, com quem estava tentando dialogar, no sonho, era o ronco do Lorenzo, que dormia o sono dos justos.
Era você, né?


Freud explica?




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