WikiLeaks, vazamento que incomoda

Vazamento incomoda...
 A gente aqui neste mundinho real, assim meio sem porteira, e o mundão virtual pegando fogo nos últimos dias. No centro das atenções, o site WikiLeaks, que foi sacado da web numa manobra cibernética (mas já voltou), depois de incomodar poderosos com o vazamento de informações secretas (ex-secretas, melhor dizendo)  obtidas por meio de “telegramas” de embaixadas e do governo estadunidense.  O site é definido como uma organização transnacional sem fins lucrativos, sediada na Suécia, destinada a livre publicação de informações obtidas por fontes anônimas, documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas, sobre assuntos sensíveis.

Este cyber espaço enxaqueca, dizem, na web, foi fundado por dissidentes chineses, jornalistas, matemáticos e tecnólogos da Europa e de países como os EUA, Taiwan, Austrália e África do Sul. O australiano Julian Assange, jornalista e ciberativista é o diretor do WikiLeaks. No último dia 30, poucos dias após uma postagem barra pesada,  a pedido da justiça da Suécia, a Interpol distribuiu em 188 países, uma notificação vermelha, colocando Assange como procurado pela polícia, por causa de uma acusação de abuso sexual contra duas mulheres na Suécia.

Olhar frio e cortante de Assange
  Assange, que a gente saiba, está sumido, até o momento em que estas informações são postadas. Mas, nesta sexta (03-12), ele divulgou na mídia internacional que o WikLeaks está na web em outros endereços  (http://wikileaks.de/, http://wikileaks.fi/ e http://wikileaks.nl/) localizados respectivamente na Alemanha, Finlândia e Holanda. E disse também que as informações que detém já foram enviadas para um grande número de outros endereços virtuais. Assange registrou, ainda, que está sendo vítima da privatização da censura. Fica a impressão de que não tem mais como calar o sujeito. Ou melhor, como conter esse processo de vazamento de informações.

O site motivo da celeuma foi lançado no final de 2006 e quase um ano depois já continha 1,2 milhões de documentos, que fariam qualquer Michael Moore babar. Nesse acervo nebuloso, questões delicadas sobre a geopolítica mundial como as guerras do Iraque e do Afganistão. 

É curioso saber que o WikLeaks recebeu vários prêmios para novas mídias, incluindo o New Media Award 2008 da revista The Economist. Em junho de 2009 faturou o Media Award 2009 (categoria "New Media") da Anistia Internacional. Em maio deste ano o site foi referido como o número 1 entre os "websites que poderiam mudar completamente o formato atual das notícias".
De cyber pensador premiado e revolucionário, Julian Assange agora é  o vilão, procurado pela Interpol, por assedio sexual. Me faz lembrar aquele bordão de um antigo programa humorístico: ‘não precisa explicar, eu só queria entender’.

Da provável fonte do WikiLeaks, o soldado americano, de 22 anos, preso desde maio o comentário: “Deus sabe o que acontecerá agora. Espero que haja uma grande discussão mundial, debates, reformas”. Representantes do Partido Republicano, pedem a condenação à pena de morte.

Nesta altura dos acontecimentos cabe lembrar a antiga teoria sobre a Indústria Cultural, muito badalada no final dos anos 40, especialmente pelos filósofos e sociólogos alemães Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973), da Escola de Frankfurt.  O conceito de Indústria Cultural veio para definir a conversão da cultura em mercadoria e da utilização de veículos como televisão, jornais e rádio – naqueles tempos não tinha a internet – pelas classes dominantes, com o objetivo de disseminar suas ideias conformistas e manipular a população. Já ouviu essa história, ô meu?


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