TRECHO DE LIVRO

A casa dos cem cascos



Mas enfim depois disso para cabo de vez do longamente enenarrado dia festivante, o aniversário de sua primeira santa comunhão, depois desse mesmo churrasco afeijoado ter-se findo, o coitado do velho rei Roderick O´Connor, persumo chefe polemarca e último preelétrico rei de toda Irlanda, que tinha qualquer coisa pode ir chutando aí entre cinquenta e quatro e cinquenta e cinco anos de idade na ocasião depois da assimchamada última ceia que grandiosamente dera aos cavaleiros de malte e suas servajas em sua umbelífera casa dos cem cascos, ou ao menos não era de fato então o último rei de toda Irlanda por enquanto pela simples e clara razão de ainda ser naquele instante o eminente rei de toda Irlanda em pessoa depois do último preeminente rei de toda Irlanda, o outróreo camaradinha engraçadão que veio antes dele, rei Art MacMurrough Kavanagh das perneiras de couro, ora de partes não sabidas, guarde Deus sua alma generosa, que uma ave caçada à socapa no pote de papa do pobre antes de se recolher ao seu palhácio com puses de eczemas até que a a sorte nos prepare e não é que acabou morrendo mesmo assim no ano em que faltou açúcar e até ele ficou com três vaquinhas que lhe eram carne bebida e cachorro e roupa lavada, é bom porque nós temos que lembrar, mesmo assim, espera só eu te contar, o que foi que ele fez o coitadinho do velho Roderick O´Connor Rex, auspicioso monarca impermeável de toda Irlanda, quando se viu sozinho na silva em seu grandioso monturo histórico depois de todos terem todos saído de vez como como podiam, montados a pé em fila estendiana a uma árvore de distância da trilha mais longa a sair, pela estrada-estranha-russa, os desimportantes Partalônios com os bolorentos Firbolgs e os tronchos dos Tuathá dé Danann e todo o resto dos poucabostas e outros cachassorrateiros suburbanitas a quem não dava um mero régio cuspe de sua boca ostensível, bom, o que pensam vocês que ele fez, senhores, mas de faxto ele simplesmente foi dequatrante pelo leito derramado de vinho e rolhas carunchadas que lhe davam pelos joelhos à roda de sua própria mais-que-régia mesa ronda dos arroubos dos velhotes, com seu velho chapéu elástrico de Roderick Random assim meio de flanco, o corpo que te era de dar pena, como anda esse mundo, coitadinho dele, o coração de um Midleinster e supereminente senhor de todos eles, afogado que estava de desgraça negra, como uma esponja fora d´água e cantando bem sozinho em meio às lágrimas sarapantadas pelos mais monárquicos arrotos tenho tantotra balho atrabalho a fazer afazeres fazalhoatrazer, bem, o que foi que ele me foi fazer Sua Exuberantíssima Majestade o rei Roderick O´Connor senão, arre cacilda, finalizar rebaixando a garganta lanosa com a maravilhosa sede meianôitica que tinha que ardia em vontades e pode crer que ele claro que chupou que nem troiano, em certos casos particulares com assistência da venerável língua, quaisquer relíquias de uca braba, mil pidões, deixadas pelos pigros preguiçosos nos diferentes fundos dos vários diferentes utensílios beberantes replenifincados abandonados por eles no recinto quando partiam os honoráveis rumoaolares, como se fosse, pouco importante fosse Guinness engarrafada no chatô ou cerveja da fábrica Phoenix ou fosse John Jameson and Sons ou Roob Coccola ou, a bem dessa verdade, a famosa birra dublinense de O´Connell que ele morria de vontade de querer de garantia, de diversas diferentes quantidades e qualidades chegando no todo a, devo dizer, consideravelmente mais que boa parte de uma canequinha ou de um odre de imperial medida seca e líquida.

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Acima, obra (Companhia das Letras) da biblioteca tyrannus, de onde foi reproduzido o texto. Tradução de Caetano Galindo

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James Joyce (1882-1941)


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