Falando de cinema

Implacável Isaach De Bankolé
Aprendi com um amigo erudito que o que pega num filme e num livro não é a história em si, mas sim a forma como a coisa se dá. Narrativa é a palavra. E se ela, a tal da narrativa, tiver um ritmo insinuante... show de bola. Assim venho me portando diante de novas experiências fílmicas e literárias.

Mas é claro que uma boa história que nos envolve, tira o fôlego e estatela os olhos pesa pra caralho. Mas, no frigir dos ovos, tem hora pra tudo. Há dias em que a gente tá mais pra entretenimento do que pra arte e vice-versa. Hoje eu sou Schwarzennegger, amanhã sou Jim Jarmusch. Em se falando de cinema. Porque em literatura, segundo uma humilde avaliação, quem está habituado com Dostoievski, dificilmente vai aceitar Paulo Coelho. Putz, que pecado sugerir essas comparações. Pagarei penitências futuramente.

No século XIX surgiu a técnica de projetar imagens de forma rápida e sucessiva criando a ilusão de movimento, assim é o cinema.  O fascínio sobre homem é tão grande que a técnica galgou o status de “sétima arte”. No Brasil o cinema existe desde 1896.

O cinema atrai algumas pessoas de forma impactante. Já  vimos histórias de cidadãos, de uma simplicidade inimaginável, produzindo películas nesse brasilzão sem fronteira; assim como existem pessoas que investem o pouco que tem para proporcionar a outros menos favorecidos, o encanto de se deleitar no escurinho, com uma história ao sabor de pipocas. Esse cinema ingênuo é para ingênuos. O cinema é uma indústria forte, que gasta milhões para arrecadar, se possível, zilhões.  É business.

Elenco global do assalto

Um filme brasileiro que entra em cartaz nesta sexta causa uma certa curiosidade. “Assalto ao Banco Central”, direção do global Marcos Paulo (sua estreia na direção em cinema), foi inspirado naquele sofisticado assalto que lesou o BC em Fortaleza, em 2005. A quadrilha escavou em três meses um túnel de 80 metros e transportou 3,5 toneladas de dinheiro ou a bagatela de 167 milhões de reais.  Não estou recomendando o filme a ninguém, que fique bem claro isso. Só que o planejamento do golpe milionário é algo que fustiga nossa imaginação. Imaginação... ahhh.

Não sei não, mas me parece muito parecido (parece muito parecido porque há uma semelhança que é idêntica) com o clássico brasileiro “O Assalto ao Trem Pagador” (1962,) dirigido por Roberto Farias, baseado no assalto do trem pagador da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. O crime foi tão bem planejado que a polícia pensou haver envolvimento de estrangeiros mas, tudo partiu da cabeça de brasileiros.   



O implacabilissimo Grande Otelo

Falamos do cineasta americano Jarmusch (Daunbailó, Flores Partidas e Dead Man) agorinha, porque um filme dele tá fresquinho em nossas cabeças: “Os Limites do Controle”. O diretor se destaca por imprimir uma estética visual diferenciada, criando um cinema singular, único, inconfundível e arrastado.  No roteiro um assassino profissional está prestes a executar mais um trabalho. Ele é negro e viaja por cidades espanholas seguindo as pistas que lhe são dadas. Quem será que ele vai assassinar? O espectador não consegue esquecer a pergunta.




Two express in separate cups


Quando o assassino, finalmente, vislumbra seu alvo e se depara com a estrutura que o protege, é inevitável que nos ponhamos a imaginar como ele vai se adentrar na fortaleza no meio de uma área desértica, com muros altos, aparatos tecnológicos e seguranças primeiromundistas de butuca.  Corta para outra cena: o assassino praticante de tai chi chuan está no escritório de sua vítima como que inexplicavelmente. O sujeito que vai morrer indaga: “Como você entrou aqui?”. A resposta é taxativa, tanto para o personagem que se ausentará, quanto para o espectador: “Usei a imaginação”.

Imaginação... ahhh. Quando o que a gente vê, lê, ouve etc alguma manifestação supostamente artística e ela nos exige utilizar a imaginação, tá valendo gente boa. Mas isso não quer dizer que o resto é resto. O resto, ora ora, o resto é apenas entretenimento. Se eu fosse o Caetano Veloso, diria ainda: “Ou não!”

Agora tá na hora de assistir “Fora do Jogo”, do iraniano Jafar Panahi. A TV Cultura oferece na sua programação semanal filmes do Festival Internacional de Cinema de São Paulo na Mostra Internacional de Cinema na Cultura .  

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