ROMANCE (trecho)

O amante de Lady Chatterley*



O guarda-caça a conduziu por um recesso recamado de folhas secas, que amontoou e forrou com o seu casaco. Aí a fez deitar-se, como um animal. E de pé diante dela, de blusa e culote, Mellors a contemplou com os olhos dilatados de desejo. Desceu-lhe, em seguida, a roupa de baixo - arrebentando o que não podia desatar, porque Constance, imóvel, não o ajudava.

E como ele também se despira na frente, houve perfeito contato das epidermes ao dar-se a penetração. Mellors penetrou-a e ficou parado dentro dela, túrgido e palpitante, até perceber o começo do orgasmo de Constance - e não ritmou os movimentos de vaivém. Frementes, como o palpitar de uma leve chama, leve e macia como pluma, as entranhas de Constance começaram a derreter-se lá dentro. Era como o som de um sino que, de vibração em vibração, sobe do vago ao apogeu. E Lady Chatterley não teve consciência dos gemidos e gritinhos selvagens que dava - que deu até o fim. Fim da parte dele, apressado demais, ejaculando antes que ela acabasse - e Constance não podia acabar sozinha. Dessa vez tudo era diferente, diferente. Por si só nada podia fazer - como com Michaelis. Não podia retesar-se para mantê-lo dentro de si até que o gozo sobreviesse. Só podia uma coisa, esperar - esperar e mentalmente gemer ao sentir que ele se contraía, se retraía, já próximo a escapar à sua sucção. E como a anêmona do mar flutuante sob a onda, suas entranhas abertas e macias clamavam por ele outra vez - que viesse satisfazê-la. E a ele agarrava-se, no delírio da paixão inconsciente, e não o deixava arrancar-se de si; finalmente sentiu que o membro do homem estremecia de novo dentro de sua carne, e recrescia em ritmos estranhos até ocupar todo o vácuo da sua consciência. E o inefável movimento recomeçou - movimento que não era movimento, mas puro e profundo turbilhão de sensações que vibravam e mergulhavam mais e mais no interior da sua carne fundida, até torná-la um turbilhão concêntrico de sensações a emitir instintivos urros inarticulados. Foi com terror que nas trevas do recesso o homem ouviu aquele grito da vida ressoante debaixo dele - e dentro dela derramou em jatos sucessivos a sua semente cálida.

 

*Reproduzido de http://evolucionese.blogspot.com

dh

David Herbert Lawrence (1885-1930) foi um autor inglês que praticou diversos gêneros literários, incluindo a crítica. Sua obra é controversa por sugerir simpatia pelo nazismo, sadismo e ódio às mulheres. Motivou investigações da parte de filósofos como Gilles Deleuze e Félix Guattari, e de Sigmund Freud

 

 


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