POESIA
Paulo Augusto


System-Attica*

 

Porque sou fresco, 
hábil, lépido, 
a gerontocracia sente medo, 
se arrepia 
como um rato. 
Cospe leis, editos, atos. 
Se agasalha, modorrenta, rouca, 
recua 
na cadeira de balanço 
botando graxa 
na dobradiça das pernas. 
A tosse, a vista cansada, 
a velha despótica me espreita. 

 

Quando exibo meu porte, 
meu corte, 
me chama de trans 
viado 
me cobra pedágio - a doida 
quer me ver casado, 
parindo mão-de-obra 
para eternizá-la. 
Para destruí-la, esterilizo-me. 
Minha práxis. 
Por puro capricho 
me amedronta, me persegue, me degrada. 
Nego, renego, faço ouvido mouco. 
Se me encontra pela rua 
madrugada 
quer violentar-me, 
ver meus documentos, 
me revista e se delicia 
apalpando minhas partes, 
pensa em coito. 
Nego, renego, abomino. 
E ficamos eternamente 
nessa cachorrada. 

 

Quer me tributar, 
me chupar – foder-me 
porque sabe que é maravilhoso, 
ser fresco 
como um dia de Domingo 
ensolarado e pendurado 
no varal.

 

*Reproduzido de http://revistamododeusar.blogspot.com.br

 

Paulo Augusto, poeta brasileiro


Fonte: Tyrannus Melancholicus
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