Quinta, 04 de janeiro de 2018, 18h51
MANOEL DE BARROS
No Macp-UFMT, até 28 de fevereiro

Tyrannus de Jesus

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Detalhe de piçarras esculpidas, da obra de Marcio Aurélio

Como eu gosto. Só. Essa é a maneira que prefiro para apreciar uma mostra artística. Sem burburinhos e sem mais ninguém, que é pra que nada afugente minha emoção que deve ser fiel apenas aos efeitos do que estou observando.

Assim estive, nesta quinta, no Museu de Arte e Cultura Popular da UFMT para conferir a exposição coletiva de arte híbrida "Para encontrar o azul eu uso pássaros", que celebra o centenário de Manoel de Barros. Ela permanece em cartaz até o dia 28 de fevereiro e a visitação pode ser feita de segunda a sexta, das 7h30 às 11h30, e das 13h30 às 17h30.

Estava curioso para saber como foi montado esse quebra-cabeças que significou distribuir obras de mais de trinta artistas, atuantes em diversas modalidades, no espaço do Macp, um quadrado, que deve ter aproximadamente 20 X 20m. Não é fácil.

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"Sem título", objeto de Valques Rodrigues

Essa trabalho de 'diagramação' me conquistou e para qualquer lado que eu olhasse ali estava algo a embelezar-me o ponto de vista e/ou provocar meu raciocínio.  

A organização/curadoria coube a Aclyse Mattos, Gervane de Paula, Imara Quadros, Ruth Albernaz e Serafim Bertoloto. Quinteto representativo das boas estripulias nas artes de Cuiabá. Foram selecionados 32 artistas que militam em diferentes áreas, notadamente, literatura e artes visuais. Se bem que a proposta de hibridez impede delimitações radicais.

Ver tanta coisa - e senti-las -, claro que há de provocar algum tipo de reação no público que gosta de arte. Pois, num dos cantos do salão onde ocorre a mostra, divisórias separam um espaço para que os versos de quem quiser sejam incluídos no contexto expositivo. 

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Recorte em "Contemplação", de Benedito Nunes, pintura-objeto com materiais diversos. Ao fundo, versos de Aclyse Mattos

Desde a abertura da exposição, que aconteceu em cinco de dezembro, até seu encerramento, já foram realizados dois saraus, com direito a música e interpretações de poesias. E ainda tem mais um, nesse estilo, que vai acontecer em 28 de fevereiro, no fechamento da mostra. Nesse dia também será exibido um vídeo, produzido em consonância com a exposição.

Quase quatrocentas pessoas, conforme conferi no livro de visitação, já estiveram na exposição. Número razoável, mas ainda pequeno, diante da grandeza da poesia de Manoel de Barros, que ainda deve prosseguir impactando o pensamento humano por mais vários séculos, pois tem o mérito daquelas coisas relegadas ao não esquecimento e que vieram ao mundo cravadas com a sinonímia da eternidade.

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O verso de Lucinda Persona a traduzir o poeta celebrado

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"Sem título" de Vitória Basaia, pigmento natural sobre papel

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"Retrato de Manoel de Barros" (recorte), óleo sobre tela de Dalva de Barros

 


Fonte: Tyrannus Melancholicus
Visite o website: http://www.tyrannusmelancholicus.com.br/