Segunda, 08 de janeiro de 2018, 17h13
EXPOSIÇÃO
“100 anos de AthosBulcão”

Redação*

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Athos Bulcão (1918-2008) foi pintor, escultor, desenhista e artista brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro e faleceu em Brasília. Ao longo de sua trajetória, trabalhou com expoentes da cultura brasileira como Cândido Portinari e Oscar Niemeyer

Athos Bulcão está na brasilidade das cores, nos traços inconfundíveis dos desenhos, na personalidade das pinturas, na lógica imprevista das fotomontagens, na força dos cenários e figurinos, na relação univitelina entre arte e arquitetura, no sagrado e no profano, na explosão da azulejaria brasileira. Com curadoria de Marília Panitz e André Severo, a exposição “100 anos de AthosBulcão”, realizada pela Fundação AthosBulcão e produzida pela 4 Art, irá percorrer as unidades do CCBB de Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, a partir de 16 de janeiro deste ano.

Com a intenção de propor um profundo mapeamento e imersão na diversidade dos trabalhos e técnicas do artista, a mostra oferece ao espectador a possibilidade de conhecer o processo de sua produção. Incluindo a exibição de obras inéditas, mais de 300 trabalhos de Athos, grande parte do acervo da Fundação, apresentarão ao público um amplo panorama de sua criação entre os anos 1940 e 2005, contextualizando sua obra e seu pensamento. Além disso também serão apresentados trabalhos de artistas que, de uma maneira mais direta – convivendo com ele, no ateliê e nos chás – ou indireta – artistas mais jovens, muitos nascidos em Brasília, que reconhecem a influência do mestre pelo convívio cotidiano com suas obras públicas.

Dividida em oito núcleos, “100 anos de AthosBulcão” vai além da arte da azulejaria: destaca também a pintura figurativa do artista realizada nos anos 1940 e 1950, antes de Brasília. 

"A série dos carnavais e sua relação com a pintura sacra é extraordinária", afirma Marília Panitz, ao destacar que Athos utilizou uma mesma estrutura composicional para trabalhos sacros e profanos, citando como exemplo A Vida de Nossa Senhora, que está na Catedral de Brasília. 

A mostra contém ainda os croquis que Athos fez para o grupo de teatro O Tablado, do Rio de Janeiro, os figurinos das óperas Amahl e Os Visitantes da Noite de Menotti, paramentos litúrgicos modernistas, grande acervo de seu trabalho gráfico e até os lenços que desenhou quando estava em Paris.

Outro aspecto da exposição é a interatividade, desenvolvida a partir do caráter urbano e democrático da obra pública de Athos Bulcão inserida nas cidades. Através de um aplicativo criado especialmente para a mostra, o público será convidado a interagir e apropriar-se de projetos. Como num jogo, os azulejos de Athos poderão ser “colocados”em qualquer espaço como, por exemplo, a casa do “jogador”. A realização de mesas-redondas com os curadores e convidados especiais que irão dialogar com os visitantes sobre a vida e obra de AthosBulcão completam a programação. A primeira delas acontece no dia 17 de janeiro, às 10h, em Brasília, primeira cidade a sediar a mostra, com a presença dos curadores, Marília Panitz e André Severo, Valéria Cabral, secretária executiva da Fundação Athos Bulcão, além de vários artistas da cena brasiliense.

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O ponto de partida dessa grande exposição itinerante é Brasília, cidade que contém em seu DNA a maior expressão da inventividade poética do homenageado

A exposição

"Combinando o viés cronológico com uma aproximação temática, '100 anos de Athos Bulcão' aposta nos vínculos, mais ou menos evidentes, entre diferentes momentos da trajetória do artista e se estrutura a partir de núcleos de obras e estudos que se interpenetram e deixam evidente a diversidade conceitual e material que permeia toda a obra de Athos Bulcão" afirma André Severo.

Ao longo de toda a mostra podemos ver a reprodução em escala de alguns dos relevos acústicos que foram desenvolvidos pelo artista, assim como algumas divisórias utilizadas em diversos prédios públicos, cuja originalidade e funcionalidade são marca do trabalho, sem precedentes, de integração entre arte e arquitetura proposto por Athos Bulcão.

No espaço externo (marquise e jardins), três cubos, com faces verticais revestidas comdoze padrões de azulejos realizados em construções espalhadas por diversas cidades do Brasil e do mundo, como, embaixadas, prédios públicos etc. A cobertura em uma dimensão generosa e realizada com o material real possibilita ao público a experiência do corpo a corpo com os painéis e também propicia a aventura de documentar as viagens imaginárias pelos diversos locais onde estão seus trabalhos, com um só click.

Para além da cronologia, e exposição contextualiza a trajetória de Athos Bulcão, a conexão entre suas obras e um adensamento em sua poética. Será possível visualizar seu caminho no Brasil e exterior, desde sua inspiração inicial pela azulejaria portuguesa, seu aprendizado sobre utilização das cores, quando foi assistente de Portinari, até as duradouras e geniais parcerias com Niemeyer e João Filgueiras Lima, o Lelé.

"Para nós, que divulgamos e preservamos seu legado, é sempre uma alegria homenagear o talento desse homem discreto, preocupado especialmente em harmonizar e compor o trabalho do arquiteto na integração de sua arte, mas que também se engrandece quando envolvido em telas, tintas e pincéis, produzindo um dos mais destacados repertórios da arte brasileira", afirma Valéria Cabral, secretária executiva da Fundação Athos Bulcão.

Essa homenagem a Athos quer resgatar o valor individual dessa arte única que foi produzida no Brasil, sua importância no panorama da visualidade moderna, além da valorização, do reconhecimento para a manutenção da memória nacional. (*reprodução parcial de texto do  Jornal do Brasil)

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A Catedral Metropolitana de Brasília tem duas belas obras de Athos Bulcão. O painel de azulejos no Batistério e o conjunto de dez pinturas em tinta acrílica sobre placa de mármore branco

 


Fonte: Tyrannus Melancholicus
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