Sexta, 12 de janeiro de 2018, 13h00
LE MONDE
Contra a punição sumária

Agência Ansa

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Catherine Deneuve, ícone do cinema mundial, hoje com mais de setenta, no filme "A Bela da Tarde" (1967)

Um grupo de quase 100 mulheres, dentre elas a atriz Catherine Deneuve, de 74 anos, assinou uma carta que critica as campanhas mundiais contra o assédio sexual. O texto publicado no jornal francês "Le Monde" nesta semana diz que "os homens têm sido punidos sumariamente, quando tudo o que fizeram foi tocar o joelho de alguém ou roubar um beijo".

Além disso, aponta que, mesmo que o estupro seja crime, "tentar seduzir alguém, não é." Para elas, os homens devem ser "livres para abordar mulheres".

As autoras, dentre elas a escritora Catherine Millet e a atriz Ingrid Caven, ainda acreditam que há um novo "puritanismo" no mundo, pois, mesmo que exista abuso de poder masculino no trabalho, as denúncias "perderam o controle" e reforçam a condição das mulheres de "vítimas". De acordo com a carta, elas não se sentem representadas pelo feminismo atual, pois o movimento "adquiriu uma face de ódio aos homens e à sua sexualidade".

O manifesto foi publicado dois dias após a premiação do Globo de Ouro, em que vários artistas se vestiram de preto como forma de protesto contra o abuso. Na festa do cinema, a apresentadora de televisão Oprah Winfrey fez um discurso inflamado criticando o racismo e o assédio.

As ondas de denúncia de abuso sexual tiveram início no ano passado, quando o produtor cinematográfico Harvey Weinstein foi acusado por dezenas de mulheres de assédio. Após a divulgação dos casos, o movimento #MeToo, que incentiva vítimas a relatarem abusos, ganhou força pelas redes sociais.

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O produtor cinematográfico Harvey Weinstein, principal responsável pela deflagração da campanha contra o assédio sexual


Fonte: Tyrannus Melancholicus
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