Sábado, 14 de abril de 2018, 18h00
EXPOSIÇÃO
"Lugares e Delírios"

Redação*

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"Razão-Loucura (1976-2017)", de Cildo Meireles

Exibida no Museu de Arte do Rio (MAR) no início de 2017, a partir de proposta de Paulo Herkenhoff, a exposição "Lugares do Delírio" chegou a São Paulo modificada e ampliada. Foi aberta há poucos dias e a visitação pode ser feita até o dia primeiro de julho, no Sesc Pompeia.

Com curadoria da psicanalista e professora Tania Rivera, a mostra traz o objetivo de propor uma reflexão sobre as fronteiras entre a arte e a loucura. Quer afirmar que os lugares do delírio são muitos e variados, e tenta assim explorar e questionar as fronteiras entre normal e patológico, entre arte e vida, entre o museu e o mundo. 

Suas obras vêm de locais diversos — do circuito artístico tradicional ou de instituições psiquiátricas, do campo de interseção entre terapia e arte ou de propostas diversas de interação e construção poética entre sujeitos “fora dos trilhos”, afirma Tania Rivera.

São cerca de 170 obras de mais de 40 artistas, entre nomes consagrados como Cildo Meireles, Lygia Clark, Lasar Segall, Arthur Bispo do Rosário, diagnosticado como esquizofrênico, e outros que também foram rotulados como portadores de algum tipo de  transtorno psiquiátrico. São instalações, pinturas, objetos, fotografias, mapas e performances que têm a loucura como tema ou são fruto de devaneios.

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"Baú de vaidades", de Bernardo Damasceno

Logo ao entrar na Área de Convivência do Sesc Pompeia, o público se depara com duas varas de bambus, mantidas curvadas por correntes de metal que unem suas extremidades – como se fossem dois arcos e flechas. A posição curvada das varas mostra sua fragilidade, como se elas estivessem a ponto de quase quebrar. Os dois objetos são praticamente idênticos, a não ser por uma singela diferença: no meio de cada vara há uma corrente com uma pequena placa de metal. Em uma delas, está gravada a palavra “Razão” e na outra “Loucura”. 

Num contexto de crise política e econômica, em que leis e políticas públicas de assistência a pessoas com transtornos psiquiátricos estão sendo ameaçadas, "Lugares  do  Delírio" surge para promover o urgente debate sobre esse tema. 

“Hoje, todos sabemos que a pessoa diagnosticada com transtornos psiquiátricos não deve ser temida nem isolada da sociedade – pelo contrário, ela pode se beneficiar da vida coletiva e contribuir muito para a construção da coletividade e a transformação do mundo. No entanto, os transtornos psiquiátricos são ainda hoje assunto tabu”, explicou a curadora. (*com informações de vários sites)

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Trabalho de Geraldo Lucio Aragão

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A arte de Arthur Bispo do Rosário, diagnosticado como esquizofrênico, compõe a mostra

 


Fonte: Tyrannus Melancholicus
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