Sábado, 12 de agosto de 2017, 20h00
COLETIVO DE MULHERES
Grupo acaba de divulgar clipe Origens

Redação*

yago perez

rimas

Grupo pretende fortalecer a presença feminina, sobretudo negra, no hip hop, na música e na sociedade

O coletivo Rimas & Melodias é composto por sete mulheres que rimam, cantam e fazem do beat uma poderosa mensagem pela igualdade de gênero e raça. O grupo que acaba de divulgar o clipe Origens está finalizando seu primeiro disco Rimas & Melodias, que deve ser lançado até o final de agosto.

Formado em 2015, o coletivo reúne as cantoras Alt Niss e Tatiana Bispo, as cantoras e rappers Drik Barbosa e Tássia Reis, as rappers Karol Souza e Stefanie e a DJ Mayra Maldjian. O som dessas “manas”, como se autodenominam, passeia pelo rap, rhythm & blues (R&B) e o neo soul com o objetivo de desconstruir moldes e fortalecer a presença feminina, sobretudo a negra, no hip hop, na música, na sociedade. Segundo o grupo, “juntas, cantoras, rappers e djs somam forças no levante das mulheres no hip hop que, apesar dos avanços, ainda é um movimento dominado por homens”.

Uma das sete faixas do álbum Rimas & Melodias acaba de ganhar um videoclipe no qual as rappers, cantoras e a DJ abordam temas ligados às suas raízes e à miscigenação. Cada uma das sete mulheres explora nesta música sua história e trajetória nos palcos e fora deles: “Ela é neta de nordestino/ E na história dela tem uma mistura de preto com índio/ Infância humilde, mas fizeram um corre/ Meus avós honraram nosso sobrenome, Santos”, canta Tatiana Bispo em Origens.

“Nas trocas de ideias entre nós todas, sempre falamos de nossa família. Sempre conversamos sobre a questão da miscigenação, das raízes, da nossa infância. Daí veio a ideia de colocarmos isso tudo em uma música. Foram letras feitas de coração mesmo. Tanto, que quando escutamos a música pronta, foi emocionante. Teve até choro. É um pedaço bem pessoal das nossas vidas que a gente está expondo do jeito que a gente sabe fazer: pela música, seja nos versos ou pelo beat carregado de referências, como é o caso da DJ Mayra, que tem origens armênias e nordestinas. Eu acho que é importante a gente se aceitar nesse sentido também. Por muito tempo, eu tive vergonha do meu sobrenome. Achava comum, não indicava nenhuma ascendência de outro país. Hoje, entendo que meu sobrenome carrega minha história, tudo que sei sobre meus avós, bisavós, e por aí vai. Agora, eu canto isso com orgulho, assim como as outras meninas”, afirma Tatiana.

Segundo Mayra Maldjian, o disco previsto para sair no final de agosto mantém a mesma ousadia da primeira faixa lançada. “É difícil falar de pegada – pensa que ali vão ter influências de sete minas mais a criação dos produtores (risos) –, mas dá pra dizer que vem bem original e atual. A Origens, por exemplo, vem no trap, que vira um funk, que vira um house e termina com um beat inspirado na música armênia, tudo bem amarrado pelos nossos produtores incríveis, o Grou e o DIA (que também assina a direção musical do disco). Claro que nem todas as faixas vão ser malucas assim, mas por ela dá pra sacar bem que a gente não tem medo de ousar. Vai ser daqueles discos que você ouve e sente uma certa familiaridade com algumas sonoridades, mas percebe que elas estão ali combinadas e construídas de uma forma muito particular”, declara.

O feminismo negro também segue como fio condutor nas outras seis faixas. “As mensagens também estão vindo pesadas, as meninas estão colocando pra fora muita coisa importante da vivência de cada uma. Tem visões e vibes potentes do feminino e do feminismo – especialmente do feminismo negro. Eu não rimo, nem canto, mas minha expressão está ali também pelas colagens que fiz nos toca-discos e pelo direcionamento artístico da coisa toda”, completa Mayra. (*com Rede Brasil Atual)

Confira o clipe novo em https://www.youtube.com/watch?v=jBTUZC0j1ug


Fonte: Tyrannus Melancholicus
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