POESIA
Fabio Weintraub


pudim

 

come pudim no meio da rua
sacola nos braços
o prato nas mãos

a calda a escorrer
contra o congestionamento
a dentadura no leite
depois da sopa

come com avidez
alheia e diabética
antes da amputação

sem mesa ou apoio
no meio da rua
come o pudim
sob a luz condensada

em banho-maria a memória
e um perfume de baunilha
que o trânsito e a fumaça
as dívidas e a velhice
já não podem corromper

 

*Reproduzido de http://www.mallarmargens.com

 

 

Fabio Weintraub, poeta brasileiro

 


Fonte: Tyrannus Melancholicus
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