Quinta, 12 de outubro de 2017, 19h00
RELACIONAMENTOS
Quem são e o que desejam as pessoas

Luciana Conrado Martins*

museus

É importante estabelecer um diálogo educacionalmente significativo

Os museus são compreendidos como espaços educacionalmente relevantes para a formação científica e cultural ao longo da vida. Movidos por mudanças que, ao longo do século XX, deslocaram o eixo de atenção dessas instituições dos acervos para os visitantes, os museus na atualidade se defrontam com a necessidade de uma atuação mais dialógica e democrática com seus públicos. Essa modificação aponta para uma das principais especificidades da educação em museus o foco na compreensão das características dos visitantes como fator fundamental para o estabelecimento de um diálogo educacionalmente significativo. Para isso, os museus buscam estabelecer seus discursos expositivos e de ação educativa a partir da realização de investigações que possibilitam a compreensão das representações e conceitos trazidos pelo público.

Entretanto, muitos museus nacionais encontram dificuldades em otimizar sua relação com os públicos. Dois aspectos contribuem para esse cenário. O primeiro deles diz respeito às dificuldades de muitas instituições em saber mais sobre quem são e o que desejam seus públicos. De acordo com a última divulgação do Formulário anual de visitação do Ibram (FAV 2014), por volta de 27% dos museus brasileiros contam o número de visitantes. O número de visitantes é a mais básica das informações a respeito dos públicos que um museu pode ter. Mesmo assim, mais da metade das instituições nacionais não comunica a realização dessa coleta.

O segundo aspecto que contribui para as dificuldades dos museus em melhorar as relações com seus públicos é a ausência de profissionais especializados nas instituições. De acordo ainda com o Ibram, 21% dos museus respondentes ao Cadastro Nacional de Museus em 2011, tem de 1 a 3 funcionários. As lacunas decorrentes dessa realidade se fazem sentir na baixa frequência a esses espaços, bem como na qualidade dos serviços prestados, fazendo com que o aproveitamento educacional dessas instituições não seja efetivado em toda sua potencialidade. Como decorrência dessa situação, os métodos de gestão do relacionamento com o visitante são realizados de forma pouco profissionalizada e sistemática na maior parte das instituições.

Agendamento, escala de educadores, prestação de informações básicas sobre o funcionamento da instituição de forma ágil e confiável, coleta de dados de perfil de público e relacionamento pós-visita, entre outras práticas necessárias para uma experiência museal significativa, são ações importantes que devem ser estabelecidas de forma sistemática pelas instituições museais na busca da melhoria do relacionamento com seus visitantes. Os setores educativos das instituições são, na maior parte das vezes, os responsáveis por essas ações. Nesse sentido, é fundamental que a estrutura – física, de pessoal e financeira – desses setores seja uma prioridade institucional.

 

*Reproduzido de http://www.culturaemercado.com.br . Luciana Conrado Martins é historiadora, especialista em Museologia e doutora em Educação pela Universidade de São Paulo


Fonte: Tyrannus Melancholicus
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