VERSOS NOVOS

"Instante Pictórico", "Entraves" e "Nu"



diva

Trecho do poema "Paquiderme", do livro Entraves, de Divanize Carbonieri

Três novas obras representativas da poesia contemporânea mato-grossense têm atravessado a cachola do humilde editor deste site. "Instante Pictórico", de Odair de Morais;  "Entraves", de Divanize Carbonieri; e "Nu", de Helena Werneck. Os dois primeiros editados pela Carlini Caniato, enquanto o terceiro, pela Entrelinhas. 

Recomendo todos os três aos leitores que amam o verso. As duas editoras são as melhores de Cuiabá (provavelmente de MT também) e em seus respectivos sites os interessados devem obter informações sobre como adquiri-los. 

"Nu" e "Instante Pictórico" estão sobre a minha mesa, meu desktop molecular. Sinto que ficam olhando para este redator, como a inquirir: "e aí, nada vai escrever sobre nós". Já sobre "Entrave", achei que seria um entrave para eu escrever algo, mas, nem tanto. Comecemos, pois, por ele.

entraves

 

Como sou extremamente reservado e caseiro, não conhecia Divanize Carbonieri. Não fosse este Tyrannus, eu seria um sujeito praticamente invisível. Mas, vim a saber de Diva através da segunda edição do prêmio MT de Literatura, que ela "nhapou" na categoria poesia. Um telefonema e troca de alguns mails e já somos amigos, porque poetas costumam ser pessoas dadas, diante de outros fazedores de versos. 

Divanize

Divanize me enviou três poemas para que escolhesse um deles a ser publicado na editoria poesia deste site. E lá está "Úvula". Hão de dizer, com razão, que com apenas três poemas não se tem boa noção do verso do autor. Concordo. Acontece, no entanto, que Divanize tem bela formação acadêmica e milita nas letras. Junto com seus poemas me chegou uma breve análise que facilitou o entendimento mais pleno de seus versos.

"Os poemas são elaborados com uma linguagem simbólica hermética, sendo caracterizados por certo travamento na leitura e no que seria a produção de significados diretos. O leitor é convidado a oferecer as chaves que abrirão as travas do discurso poético, possibilitando uma multiplicidade de leituras." Um trecho do que estava no email, e que não destoa do que percebi, com minha experiência poética que é banhada de intuição.

A poeta é retilínea na carga racional que despeja em seus versos, mas o conteúdo também desperta a emoção e a pegada filosófica, coisas que combinam com poesia e engrandecem a linguagem poética. Sua criação tem estilo próprio e, apesar do citado hermetismo, não é fechada ao entendimento dos leitores, apesar de exigir uma certa ginástica cerebral. Melhor dizendo, um período de familiarização com o que ela quer dizer e a forma como o faz.

helena

Poema que integra "Nu", livro inaugural da jovem Helena Werneck

Helena

Helena, apesar de ainda adolescente, será sempre a menininha que conheci quando cantava no coral dos jornalistas, junto com sua mãe, Keka Werneck, amiga de longos anos. Ela também está publicada no Tyrannus e, numa fase embrionária daquilo que se tornou o livro "Nu", eu já tinha conhecimento de sua verve poética.

nu

 

"Nu", aliás, é um nome que vem a calhar bastante para os versos que traz o livro. "Esse legado de emoções da juventude e assuntos associados à vida comum da poeta traz à baila combinações de muito fôlego, elaborações sérias, divertidas, ternas e dramáticas". Assim escreveu a enorme poeta Lucinda Persona na contracapa do livro, também vencedor do segundo prêmio MT Literatura. E o que escrever depois que Lucinda já se manifestou?

Vamos lá... Helena mostra precocidade em sua poética. Escolhe e destrincha seus temas apresentando uma poesia que ainda traz a espontaneidade de uma criança, mas surpreende-nos com raciocínios que pareceriam ser mais comuns a letrados e eruditos.

Imagino como irá se desenvolver o versejar de Helena, que ainda há de ter muitas décadas manobrando palavras a conquistar pessoas com a recôndita - e triste - beleza que o mundo tem e que só cabe ser traduzida na função poesia.  Por isso, espero que a jovem poeta jamais abandone o hábito de escrever poesia. De minha parte, jamais lhe darei licença para isso. Licença para Helena, somente a poética.

Odair

instante

 

Odair de Morais, na minha opinião,  é um dos poetas maiores de Cuiabá, apesar de residir em Várzea Grande há quase uma vida inteira. Desde quando conheci sua poesia, há uns vinte anos, creio, o que me surpreendeu foi o seu poder de síntese espetacular, algo que cai muito bem para quem lida com versos. 

E isso mostra-se também em sua prosa. Sua literatura, em prosa e verso, está sempre enxuta, sem faltar ou sobrar nada. E neste "Instante Pictórico", onde pratica os haicais, está deitando e rolando no universo dos poucos versos e economia de palavras. 

A sua combinação do racional com o inspirado, o emocional, resulta numa carga imagética a evocar as searas filosóficas do nosso cotidiano. Perfeito, assim como nos nomes dos dois outros livros mencionados aqui, está "Instante Pictórico".  

"Não os mostre a mais ninguém. Alguém pode não resistir à tentação (que eu tive) de embolsá-los". É o que Ivens Scaff escreveu sobre os haicais 'odairianos'. Não vou diferir muito de Ivens. Apenas confesso que entre os haicais do livro, vários eu gostaria de ter escrito.

odair

Um dos haicais de Odair de Morais, está no livro "Instante Pictórico"

 


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