EM SÃO PAULO

"Flávio de Carvalho - Expedicionário"



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Da série Viagem à Amazônia

​A Caixa Cultural São Paulo abre na semana que vem (9) a exposição "Flávio de Carvalho - Expedicionário", que apresenta inúmeras experiências do artista que estabeleceu pontes para práticas libertárias da arte brasileira. A mostra permanece em cartaz até o dia quatro de março.

Organizada pelos curadores Amanda Bonan e Renato Rezende, a mostra reúne rico material iconográfico e textual, resultado de projetos expedicionários de Flávio de Carvalho, como fotografias, documentos, reportagens de jornal e cadernos de viagem. O público também poderá conferir a exibição de "A Deusa Branca", filme que retrata uma expedição à Amazônia e marca sua incursão cinematográfica.

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Anotações de Flávio de uma das suas expedições

Inquieto, controverso, performático, anedótico, Flávio de Carvalho (1899-1973) não respeitou regras ou convenções para manifestar seu espírito livre e suas ideias visionárias. Com trajetória artística marcada por polêmicas, o modernista costumava se definir como um arqueólogo malcomportado, alguém que vasculhava as mais profundas camadas de sensibilidade, sem reverenciar o que ele chamava de catecismo científico.

A mostra propõe um olhar original sobre o pensamento múltiplo e incontido de Flávio de Carvalho, revelando aspectos da personalidade marcante que rompeu as formas academicistas de tratar a arte. 

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Flávio de Carvalho em 1956, dando um rolê pelo centro de São Paulo, paramentado com seu New Look, o traje que ele mesmo criou como sendo o ideal para o homem dos trópicos

Nascido em família aristocrática, na cidade de Amparo de Barra Mansa (RJ), em 1899, Flávio de Carvalho viveu de 1911 a 1922 na Inglaterra, onde ser formou em Engenharia Civil, ao mesmo tempo em que fazia um curso noturno de artes plásticas na King Edward Seventh School of Fine Arts. Foi nesta época que teve os primeiros contatos com os vanguardistas europeus. De volta ao Brasil, emprega-se como ilustrador no Diário da Noite, em 1926, onde conhece Di Cavalcanti que o apresenta ao grupo antropofágico de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral.

Pintor, desenhista, arquiteto, cenógrafo, decorador, escritor, teatrólogo, engenheiro e performer, Flávio de Carvalho tinha fascínio pelo nu feminino e pelo retrato. Apresentou seu trabalho pela primeira vez em 1931, durante o Salão Revolucionário da Escola de Belas Artes. No mesmo ano, realiza o polêmico Experiência nº 2, em que caminha com boné na cabeça de forma desafiadora, em sentido contrário ao de uma procissão de Corpus Christi. Em 1956 lança o famoso New Look, o traje que ele mesmo criou como sendo o ideal para o homem dos trópicos, desfilando pelas ruas de São Paulo, causando escândalo e chocando a multidão.

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Da série Viagem à Amazônia

A exposição é dividida por expedições, como a Viagem à Europa (1934-1935), que rendeu os relatos do livro Os Ossos do Mundo, um verdadeiro caleidoscópio de questões e especulações que o artista desenvolveu a partir de observações sobre cada país; Rumo ao Paraguai (1943-1944) e Viagens aos Andes (1947), contendo dados e documentos dessa incursão do artista à América Latina.

São fotografias, recortes de jornais e reproduções de partes de originais escritos à máquina. Há também a expedição Viagem à Amazônia (1956), com projeção de uma edição do filme "A Deusa Branca", que une pesquisa etnográfica e drama ficcional de tons surrealistas a partir da história de uma menina branca raptada por índios. (*com assessoria)

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Fotograma de "A Deusa Branca", filme que mistura pesquisa etnográfica e drama ficcional, de Flávio Carvalho



 


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