EXPOSIÇÃO

Em São Paulo, no Museu Lasar Segall



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"Eternos caminhantes" (1919), óleo sobre tela

Aberta em julho do ano passado, a exposição "Arte Degenerada", que permanece em cartaz no Museu Lasar Segall, em São Paulo, até abril deste ano, reúne obras de Segall (1891-1957), pintor, escultor e gravurista judeu brasileiro nascido no território da atual Lituânia.  O trabalho de Segall teve influências do impressionismo, expressionismo e modernismo. Seus temas mais significativos foram representações pictóricas do sofrimento humano: a guerra e a perseguição.

A exposição, que teve a curadoria de Helouise Costa e Daniel Rincon, remete a uma outra, homônima, realizada na Alemanha há 81 anos, que aconteceu num trágico período da história da humanidade.

No dia 19 de julho de 1937, o governo alemão, liderado por Adolf Hitler, inaugurou, na cidade de Munique, uma grande exposição de arte moderna com cerca de 650 obras confiscadas dos principais museus públicos do país. O título dado à exposição foi Arte Degenerada (Entartete Kunst) e o seu objetivo era apresentar exemplos de manifestações artísticas condenadas pelo regime nazista. Entre os 112 artistas que tiveram obras exibidas naquela ocasião estavam Marc Chagall, Wassily Kandinsky, Paul Klee, Piet Mondrian e Lasar Segall. A mostra "Arte Degenerada" teve inúmeros desdobramentos no Brasil e serviu de orientação para a perseguição a artistas modernos que atuavam no país durante o período da Segunda Guerra Mundial. 

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"Jovem mendiga" (1920), litografia sobre papel

Esta exposição, que ora se apresenta, visa rememorar a história de perseguição à arte moderna empreendida pelos nazistas e evidenciar o impacto que suas ideias tiveram no Brasil. A trajetória de Lasar Segall é considerada aqui como exemplar porque o artista teve cerca de 49 obras confiscadas pelo regime nazista, integrou a exposição Arte Degenerada, em 1937, e, além de tudo, sofreu ataques, através da imprensa brasileira, que o acusavam de produzir obras de características degeneradas e de ser um agente de desagregação da cultura local. Assim, o título da exposição - A “arte degenerada” de Lasar Segall - refere-se ao fato de que a obra do artista foi considerada degenerada, não só na Alemanha, como também no Brasil.

Os dois segmentos que compõem esta exposição tomam a trajetória de Lasar Segall como fio condutor. No primeiro são apresentadas obras do artista que estiveram entre aquelas confiscadas pela ação dos nazistas, além da documentação sobre a exposição de Munique. Já o segundo é dedicado às manifestações antifascistas que se realizaram no Brasil na década de 1940. Destaca-se aqui a mostra "Arte Condenada pelo Terceiro Reich", organizada por Miécio Askanazy, que exibiu duas obras de Segall, e as fotografias de Kurt Klagsbrunn, sendo quase todas inéditas.

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"Autorretrato III" (1927), óleo sobre tela

Contribuir para uma reflexão crítica sobre a perseguição à arte moderna no Brasil, com embasamento histórico, é o que pretendem o Museu Lasar Segall e o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo que idealizaram essa exposição no início do ano de 2015. Diante dos episódios recentes de censura à arte, intolerância à diversidade e acusações infundadas a artistas, curadores e museus, essa exposição ganha uma inesperada atualidade e marca o posicionamento das duas instituições a favor da liberdade de pensamento e expressão. Acreditamos que o conhecimento histórico ainda é um dos melhores antídotos contra a barbárie. (*com assessoria)

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"Três cabeças de negros" (1929), xilogravura sobre papel

 


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