EXPOSIÇÃO

"100 Anos de Arte Belga"



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Emile Claus (1849-1924)

Não foi apenas uma vez que ouvi dizer que na Bélgica a excessiva presença das artes chega a ser estressante. Só me lembrei disso por causa da exposição "100 Anos de Arte Belga" que está em cartaz no Centro Cultural Fiesp, em São Paulo. E por ali permanece até o dia 10 de junho. Entrada franca.

Estão expostas obras da Coleção Simon, que traçam um panorama da pintura belga desde o impressionismo de Emile Claus até a abstração gestual de Louis Van Lint. A mencionada coleção foi formada ao longo de três décadas pelo casal Françoise e Heinhich Simon. É inédita na América Latina.

Estão expostas 69 obras, entre as 90 da coleção, incluindo trabalhos de expoentes renomados, como René Magritte (1898-1967), Paul Delvaux (1897-1994) e James Ensor (1860-1949), e também de outros menos conhecidos internacionalmente, como Emile Claus (1849-1924), Louis Van Lint (1909-1986), Pol Bury (1922-2005) e Pierre Alechinsky (1927). 

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Théo van Rysselberghe (1862-1926)

“A Coleção Simon é provavelmente a mais importante coleção privada de arte moderna belga mantida fora da Bélgica”, afirma a curadora Laura Neve. “Por mais que reflita o gosto pessoal de Heinrich e Françoise, ela traça um panorama impressionante de quase um século de arte belga [de 1880 a 1980]”, completa.

As obras que visitam terras brasileiras pela primeira vez foram feitas por 37 artistas. Elas estão divididas em cinco áreas temáticas – "Vida e Luz", "Realidades Alternativas", "Entre Engajamento e Escapismo", "Da Natureza ao Poema Pictórico" e "No Rigor". Cada uma apresenta, de maneira não cronológica, a temática comum do binômio arte-realidade e a evolução da arte belga ao longo do tempo. “Podemos reconhecer correntes artísticas internacionais, do impressionismo ao Abstracionismo, passando pelo Simbolismo, Fauvismo, Expressionismo e Surrealismo”, comenta Laura.

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René Magritte (1898-1967)


Relação antiga

Desde 2003 o acervo tem sido gerenciado pela Patrick Derom Gallery, em Bruxelas (Bélgica), tendo percorrido museus de Bruxelas (2003), Holanda (2004), Japão (2005 e 2006) e EUA (2007). Somente agora, sete anos após a morte de Heinrich, Françoise decidiu retomar a divulgação das obras, trazendo-as pela primeira vez ao Brasil, em particular a São Paulo, com quem já têm um forte vínculo histórico.

Nas décadas de 1950 e 1960, artistas belgas já visitavam o Brasil, regularmente, para participar das Bienais de São Paulo. Entre eles, Constant Permeke (1886-1952), Gustave De Smet (1877-1943), Frits Van den Berghe (1883-1939), além dos já citados Paul Delvaux e  René Magritte, dentre outros.

"Dessa forma, expor a Coleção Simon exatamente aqui é uma maneira de renovar essa relação entre Bélgica e Brasil”, afirma Laura.

A Coleção

Em 1974, seis anos depois de chegar à Bélgica, o engenheiro alemão Heinrich Simon comprou sua primeira pintura: uma composição de Louis Van Lint. Aquela aquisição acabaria marcando o início da paixão de Simon pela arte belga moderna, paixão compartilhada com sua esposa Françoise e mantida acesa por mais de três décadas.

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Louis Van Lint (1909-1986)

Françoise e Heinrich Simon deixaram a Bélgica em 1977 e viveram em Mônaco, Nova York e Londres, mas se mantiveram atualizados e muito dedicados à arte belga. Ao longo dos anos, adquiriram obras importantes, representativas das principais correntes da arte belga moderna de 1890 a 1980. 

É inevitável e natural que a orientação pelo gosto pessoal dos colecionadores favoreceu ou excluiu determinados pintores, mas a evolução, as características e os movimentos históricos da arte belga moderna estão representados nas obras dos trinta e sete artistas apresentados na exposição. As seções temáticas reúnem trabalhos de diferentes movimentos, enfatizando suas características compartilhadas, revelando a essência e a originalidade da arte belga.

O binômio arte-realidade é um tema central na exposição, destacando especialmente a posição ambivalente da maioria dos movimentos modernos, que oscilam entre um compromisso sincero com o mundo real e uma rejeição ao seu contexto contemporâneo. Gradualmente, a busca precoce de autenticidade é corroída à medida que os artistas ganham liberdade para representar o mundo ao seu redor.

Esta exposição é uma celebração da arte belga moderna: a poesia, a estranheza, o mistério, seu caráter onírico e sua sátira mordaz. (*com informações de vários sites)

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Paul Delvaux (1897-1994)


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