RESENHA

Quase deixando a desejar



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Jesse Plemons, coadjuvante da trama, com desempenho surpreendente

Motivado por avaliações positivas sobre o filme "A Noite do Jogo", uma comédia estadunidense, lá fui eu para um dos shoppings da cidade. Na matinê de domingo. Não vou dizer que deixei de rir e me divertir com o que vi, mas, também é justo registrar que quando terminou o filme, obtive um momento de plena felicidade.

Há muita coisa interessante ao longo dos quase cem minutos do filme. Muita criatividade que parte do roteiro, com várias reviravoltas, situações inusitadas, trilha sonora bacana, edição ágil e os atores bem encaixados nos personagens definidos criteriosamente. 

O que acontece, porém, é que todos esses predicados vão se desgastando ao longo da narrativa e, não fosse o trabalho do elenco, que aponto como principal qualidade do filme; "A Noite do Jogo", da metade pra frente, se tornaria algo medíocre.

Numa das críticas que li, e que me impulsionou a conferir a produção, há o registro de que o filme é candidato a ser "a comédia do ano". Cá com os meus botões, ainda bem que  estamos no primeiro semestre e que há chances, pelo menos teoricamente, de comédias mais interessantes surgirem por aí. 

Comédia, aliás, ironicamente, é um caso sério. Difícil de se fazer e de conquistar um público mais exigente. Nesse gênero, as produções inglesas são as que mais têm me convencido nos últimos anos. 

O que me incomodou em "A Noite do Jogo" foi uma aparente intenção - um compromisso, de maximizar o caráter cômico de cada situação, como se a prioridade fosse conquistar o espectador, mesmo que para isso, seja necessário sacrificar o quesito 'contar uma estória' onde a questão autoral e a perspicácia das resoluções, estivesse sobreposta em relação às gags e aos trejeitos dos personagens. Ficou-me a impressão de que o filme supervalorizou essas propriedades e aí, arrisco dizer, sobrepujou a experiência fílmica do público mais antenado em relação a sétima arte.

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Jason Bateman e Rachel McAdams, casal protagonista de "A Noite do Jogo"

Não quero desaconselhar as pessoas a assistirem a comédia. Prefiro que elas assistam e, se acharem necessário, me confrontem. Avaliar um produto cultural não é coisa fácil e é natural que as divergências aconteçam. 

O filme tem direção da dupla John Francis Daley e Jonathan Goldstein. No currículo deles, a direção do remake "“Férias Frustadas“ (2015) e o trabalho como co-roteiristas de “Homem Aranha: De Volta ao Lar” (2017), entre outras produções.

"Um enlatado de luxo" é como classifico "A Noite do Jogo". E sendo meio bonzinho. A consistência da trilha sonora e, volto a dizer, o ótimo desempenho dos atores, que souberam aproveitar a bela caracterização dos personagens - mérito dos diretores, justiça seja feita, salvam esta comédia. 

Os atores, inclusive, mascaram as lições morais esfarrapadas contidas no roteiro, assim como, driblam as exageradas reviravoltas da trama.

Jason Bateman e Rachel McAdams encabeçam o casting e seguram a peteca, assim como todo o elenco. O meu destaque, entretanto, vai para Jesse Plemons, o coadjuvante mais bem encaixado em todo o elenco.

 


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