NESTA SEGUNDA

Dicke... cadê você?



dicke

 

Eu estava empapado de crepúsculo. Um certo crepúsculo literário. Eu estava "me achando" nos meados dos anos 1980, com minha bagagem letrada que açambarcava alguns  escritores clássicos e uns poucos mais modernos e pós-modernos. 

É também porque naqueles tempos experimentava uma tara pelo cinema, além de praticar aquela coisa toda das artes cênicas. Já meio maduro, mas era uma maturidade tênue diante da imensidão da literatura e de todas as artes que despencaram na minha pobre coitada cabeça, quando a acessibilidade cultural, com a internet, assolou o mundo-mundão. Foi aí que conheci o escritor Ricardo Guilherme Dicke. E deixei de ser aquele bundão ensimesmado.

Foi numa mesa de bar no Coxipó. Fui apresentado ao Dicke por um amigo de vastos conhecimentos, que pintava e bordava entre o erudito e o popular. Chico Amorim... que saudades do compadre ausente, e do Ricardo. Pessoas que me ajudaram a começar a desconfiar que as artes não trazem respostas... apresentam dúvidas.

Conheci Dicke e logo começamos uma amizade que, acredito, há de superar a pequenez da passagem que todos temos pelos tempos terráqueos. Quando me ponho a falar e/ou escrever sobre o escritor chapadense, fica em demasia a impressão de estar sendo repetitivo. E me perdoem... A causa desta recorrência, hoje, aqui e agora, deve-se ao fato de que na segunda-feira (09), são completados dez anos que Ricardo se mandou deste mundo. 

tvca

dicke

 

Convivi com Dicke por cerca de vinte anos. Conversávamos, sobretudo, sobre tudo. Dos papos mais eruditos, mas, numa linguagem popular que estivesse ao meu alcance; chegando até as fofocas, aquelas bem humanas, demasiado humanas. E fui muito próximo também de Adélia Boskov, a "patroa" de Dicke. 

Íntimo e diante de um gigante da literatura universal, claro que minhas habilidades jornalísticas e culturais propiciariam articulações produtivas e honrosas, como foi a publicação de seu romance inédito, "O salários dos poetas", tarefa que encabecei.

Livro publicado, lançado e catapultado à uma projeção nacional, em 2001 (ou 2000), Ricardo nunca mais foi esquecido e, volta e meia, é lembrado e citado com o devido respeito. 

Quando estava fechando a edição desse livro, precisava de alguém com estofo cultural pra escrever a orelha, já que Chico Amorim escreveu a apresentação. Recorri a querida amiga Aline Figueiredo. Disse-me ela: "ora, Lorenzo, quem vai escrever esse texto só pode ser você mesmo". O que Aline diz, para este tyrannus, é uma ordem. E, sem mais para o momento, reproduzo a orelhada que sapequei:

dicke

 

"Que história é essa de salário de poetas?

Nas lides finais para materializar `O salário dos poetas´ circulando pelas calorentas ruas de Cuiabá, com o autor, disse-lhe: Dicke, você está vivendo a sua hora da estrela!!! O grande escritor mato-grossense limitou-se a dar mais uma espontânea risada, como resposta concordante à minha afirmação.

Tive o prazer de conhecê-lo quando o entrevistei há tantos anos que já nem me lembro mais. Acabamos nos tornando amigo e acabei conquistando o privilégio de coordenar esta primeira edição de `O salário dos poetas´, resultante de um ótimo exemplo da parceria entre o poder público e a iniciativa privada, em benefício de uma arte cujos méritos são inquestionáveis. 

Ricardo Guilherme Dicke é apontado por alguns dos principais críticos literários do Brasil como um dos mais talentosos autores brasileiros vivos. Costuma-se dizer que o escritor foi descoberto por Guimarães Rosa, um admirador confesso da obra de Dicke. O consagrado romancista brasileiro, inclusive, foi jurado de um memorável prêmio da literatura nacional , o Walmap, conquistado por Dicke em 1968, através do seu romance de estreia, `Deus de Caim´. 

O saudoso e genial Glauber Rocha, na década de setenta, no programa de televisão, Abertura, certa vez irrompeu com `Caieira´, outra premiada obra de Dicke, bradando: este aqui é um livro que vocês têm que ler... vocês precisam conhecer Ricardo Guilherme Dicke. 

claudio oliveira

dicke

 

Mais recentemente, em maio de 2000, o crítico literário Leo Gilson Ribeiro, em um de seus textos para a revista Caros Amigos sentencia um rasgado elogio ao ficcionista de Mato Grosso: `parece-me de uma urgência urgentíssima  reeditar os romances fascinantes  de Ricardo Guilherme Dicke´. Ribeiro assim se manifestou  após ler `Conjunctio Oppositorum no Grande Sertão´, tese de mestrado em Filosofia de Dicke, que também foi editada. Elogios, prêmios, reverências etc perseguem este autor, que é um investigador/conhecedor dos sertões e das veredas da alma humana. 

O projeto que materializou este livro prevê a sua distribuição a um público selecionado criteriosamente. A intenção é a de oferecer uma literatura especial a leitores ávidos pela criação literária que está no mais elevado patamar da prosa ficcional brasileira.

Bibliotecas, profissionais de comunicação, escritores, intelectuais e artistas de todo o Brasil vão conhecer, através deste livro, o potencial de um grande escritor. Um biscoito fino que vai deliciar paladares exigentes e mexer com a cabeça de todos que se aventurarem por estas páginas."

marcos vergueiro

dicke

 

 


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