EXPOSIÇÃO

"O Rigor da Distração"



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tunga

 

De passagem pelo Rio de Janeiro, cumprindo afetuosa agenda familiar, claro que sobra tempo pra dar uma curtida. "O Rigor da Distração", mostra aberta em junho, do grande Tunga (1952-2016), é o alvo. E vale a pena... ô se vale. Fica em caratz até quatro de novembro. Está no Museu de Arte do Rio - Mar, que fica do ladinho do Museu do Amanhã. Uma região da cidade, próxima a Praça Mauá, que foi revitalizada e é bem bacana. Mas, voltemos à mostra de Tunga

Falecido em 2016, Tunga foi um dos maiores artistas brasileiros. Tendo como base de sua criação o Rio de Janeiro, Tunga percorreu uma longa e extraordinária trajetória que se confunde com a própria história da arte brasileira e dos movimentos artísticos surgidos no Brasil nas últimas décadas. 

Buscando uma abordagem diversa da usual, essa exposição-homenagem ao grande artista é a primeira a ser realizada após a sua partida deste mundo. Reúne, pela primeira vez, um conjunto de obras focado em desenho, fotografia, cinema e texto, tomando a escultura e a instalação – aspectos mais conhecidos da obra de Tunga, secundariamente. O objetivo é descortinar a complexidade e grandeza de sua obra, revelando ao público aspectos menos conhecidos e que, entretanto, não são de menor importância. 

tunga

 

Com curadoria de Luisa Duarte e Evandro Salles, "O Rigor da Distração" traz como eixo principal a produção em desenhos do artista Tunga, criadas entre 1975 e 2015.

Antonio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, conhecido como Tunga, surgiu na década de 1970. Sua obra aproxima-se da produção de artistas de diferentes vertentes da arte contemporânea brasileira, como Cildo Meireles (1948), Waltercio Caldas (1946) e José Resende (1945). A relação entre representação, linguagem e realidade, tema-chave para essa geração de artistas, está presente em muitos dos trabalhos de Tunga. Entretanto, corpo e desejo tornam-se componentes ativos da investigação de Tunga, na qual inclui elementos de outras áreas de conhecimento, como Literatura, Filosofia, Psicanálise, Teatro, Matemática, Física e Biologia.

O Artista

Escultor, desenhista, artista performático. Filho do poeta e escritor Gerardo Melo Mourão (1917-2007), convive desde cedo com a literatura, experiência que marca sua formação. Muda-se para o Rio de Janeiro e, em 1974, conclui curso de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Santa Úrsula.

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Na construção de sua obra, Tunga opera no cruzamento entre objeto, performance e texto. Suas esculturas constroem narrativas, das quais os textos são componentes. Além disso, os objetos utilizados em performances figuram como agentes detonadores de processos. Mesmo em espaços expositivos, os objetos assumem dimensão performática, como resíduos ou dejetos de determinada ação deixados no ambiente. O artista nomeia esses objetos de “instaurações”, uma imbricação entre as categorias artísticas de “ação” – pertencente ao universo da performance e do teatro – e “instalação” – objetos montados em espaço expositivo –, de modo a incluí-los como parte da experiência artística.

Entre os materiais mais utilizados no início da carreira estão: ferro, aço, latão, lâmpadas, correntes, ímãs, feltro, borracha. A partir da década de 1990, explora materiais mais orgânicos e fluidos, como a gelatina, que recobre os sinos em Cadentes Lácteos (1994), ou a pasta de maquiagem, com a qual sete meninas, que participam da ação Floresta Sopão (2002), recobrem objetos e os próprios corpos. (*com assessoria)

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