EXPOSIÇÕES

Abertura na segunda (22), no Macp



 

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Babu 78

O Museu de Arte e Cultura Popular da UFMT abre nesta segunda-feira (22), às 20h, duas mostras, interligando as artes de três artistas fundamentais para a cultura cuiabana (e mato-grossense) , que refletem o impacto da relação deles com a urbanidade, num viés de mão dupla.

“Cuiabá Abissal: todos os muros da cidade” traz as artes de Babu 78, grafiteiro profícuo, enquanto “Cuiabá: cidade palatável” tem seu foco nas artes dos poetas intensivistas  Silva Freire e Wlademir Dias-Pino.

“Cuiabá abissal: todos os muros da cidade” tem curadoria de Amanda Gama e Willian Gama. A proposta é uma pesquisa da trajetória artística do grafiteiro que desde os anos de 1990 vem desenvolvendo seu trabalho no Brasil e no exterior com foco para cidade de Cuiabá – MT.

A base da mostra é de fato os muros e intervenções do artista pela capital mato-grossense que serão apresentados em fotografias, pinturas, desenhos e cadernos originais do artista. O mote do tricentenário da cidade uniu a equipe expositiva a UFMT que, por meio da Coordenação de Cultura e Vivência / PROCEV  apresenta a exposição no Macp.

A parceria ainda renderá aos espectadores um “gancho” entre as obras dos poetas intensivistas Silva Freire e Wlademir Dias-Pino com Babu78, pois a galeria expositiva do museu estará dividida entre duas mostras dos três artistas.

“Cuiabá: cidade palatável” é uma reverência ao trabalho dos poetas Wlademir Dias Pino e Silva Freire, trazendo um olhar agudo sobre  Cuiabá e aliando a UFMT, prestes a fazer 50 anos na Cidade Tricentenária. Abaixo seguem textos sobre cada um dos poetas saudosos, escritos por pessoas queridas a ambos, que desfrutaram de intensa relação com os artistas.

“O pequeno conjunto de trabalhos ora apresentados celebram a partir de Wlademir Dias-Pino o Tricentenário da Cidade de Cuiabá, expandidos na mostra O Olhar Cria Esquinas Para o Azul – desde dezembro de 2018 no Museu de Arte e Cultura Popular. O artista que a elegeu como sua cidade, onde passou parte da infância, a juventude, e 25 anos de maturidade, ao final de sua vida, manteve tatuada em seu corpo e no metabolismo deflagrado por sua memória afetiva, uma Cuiabá insular inúmeras vezes revisitada.

Tentamos aqui instigar, dar a conhecer, algumas séries desse legado, em contraponto com a monumentalidade ainda tão desconhecida da singular produção de Wlademir: o pensador/artista e o artista/pensador – antes de tudo de conceitos nucleares intensivistas, tomados como ponto de partida e implícitos posteriormente em suas criações/intervenções: concretismo, poema conceito, poema/processo, poemas sem palavras gráficos e eletrônicos: contrapoemas/anfipoemas. Poeta enfim de uma energia tão enfática que atravessou quase todo o século XX e início do XXI.

O Dia Da Cidade se apresenta aqui, como uma oferta aguçada que nos convoca, a refletir acerca da distância em que nos encontramos desta herança cultural ainda tão pouco assimilada, no timbre policromático do cristal de rocha, dos diamantes, topázio, zinco e titânio, das máscaras indígenas mato-grossense, dos seixos rolados, pois “a cor é forma”, entre o abandono e a permanência da figuração, a força construtiva do abstracionismo geométrico e as orgânicas oscilações do sol geodésico com suas leis próprias”. (por Regina Pouchain) 

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Wlademir Dias-Pino

“A escolha do poema Campus de Universidade, de autoria do poeta Silva Freire, para compor a exposição Cuiabá: Cidade Palatável se motivou pela dupla celebração do terceiro século de uma cidade que inicia a abertura das comemorações do cinquentenário de sua universidade no ano de2019.

O poeta Silva Freire nasceu a 20 de Setembro de 1928 na vila de Porto de Fora, localizada em Mimoso, distrito do município de Santo Antônio do Leverger, mas foi registrado na cidade de Cuiabá, onde viveu e faleceu em 11 de Agosto de 1991, aos 62 anos. Um poeta de sua cidade que vivenciou e sentiu o crescimento urbano durante o século XX, de modo que se transfigurou nela numa fusão entre o escritor e seu espaço de pertencimento.

A produção efervescente e interdisciplinar o levou a criar uma obra literária que transita por diversas áreas do conhecimento e por gêneros literários variados, tornando difícil distingui-los, pois fazem parte de um projeto mais amplo que abrange as dimensões estética, política, ambiental, social, educacional e cultural.

Suas pesquisas poéticas, de abordagem etnográfica e sociológica, resultaram em um mapeamento memorialístico “rurbano”, com as primeiras produções publicadas em jornais e revistas literárias na década de 1950, poemas em formato de Cadernos de Cultura na década de 1960 a 1970 e o primeiro livro de poesia, Águas de Visitação, publicado em 1979 e reeditado em 1980 (Edições do Meio); 1989 (Adufmat-UFMT); e 2002 (Lei Estadual de Incentivo à Cultura). Além demais seis livros:Silva Freire – Social, Criativo, Didático (UFMT, 1986); Barroco Branco (Fundação Cultural de Mato Grosso/Ed. Amazônida, 1989); Depois da Lição de Abstração (Separata da Revista da Academia Mato-grossense de Letras, 1985); Trilogia Cuiabana, volumes 1 e 2, organizada por Wlademir Dias Pino, (UFMT, 1991).

Ao ser criada a Universidade Federal de Mato Grosso, no início dos anos 1970, como um de seus professores fundadores foi defensor entusiasmado da ideia de uma “Universidade da Selva” (UNISELVA), do cerrado e do pantanal. Com a UNISELVA nascia uma utopia que objetivava implantar um modelo universitário que priorizasse o popular, capaz de responder pela riqueza da diversidade regional, contribuindo para que o desenvolvimento da região levasse em conta o processo cultural ancorado na experiência de “cuiabania”, que fosse ao encontro do homem amazônico, seguindo o caminho da diferença. Teses estas intensamente discutidas, compartilhadas e praticadas entre Silva Freire, Célio da Cunha e Wlademir Dias-Pino, e por seus dirigentes, educadores, fundadores que envolveram muitos outros intelectuais, pesquisadores, artistas e indigenistas.

A UFMT, compreendida como um lugar, dialoga com a narrativa da UNISELVA, uma universidade que se constitui em íntima relação com seu espaço geográfico e sua cidade, o centro geodésico da América do Sul, constituindo e constituindo-se como um lugar falado, com potencial identitário. Ideias presentes no poema Campus de Universidade publicado no Caderno de Cultura n.6. Um convite para se pensar sentir e viver o campus que há na univer(cidade)”. (por Larissa Silva Freire Spinelli)

(*com assessoria)

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Silva Freire

 


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