BIOGRAFIA/LANÇAMENTO

"Um bispo contra todas as cercas"



casal

Casaldáliga e sua biógrafa, Ana Helena, que pesquisou durante quatro anos antes de finalizar seu livro

"Um bispo contra todas as cercas", livro já lançado em várias cidades brasileiras, chega a Cuiabá na quarta (12), depois de seu lançamento em Cáceres (2ª) e Tangará da Serra (3ª). Pelo título, os mais argutos, já devem ter percebido que a obra evoca Dom Pedro Casaldáliga, figura carismática e muito querida, radicado em Mato Grosso há mais de 50 anos. 

A publicação (Editora Gramma) é uma biografia de Casaldáliga, escrita pela jornalista e escritora carioca Ana Helena Tavares, que esteve debruçada sobre seu personagem durante cerca de quatro anos. Ana é a primeira biógrafa brasileira de Casaldáliga e tem rodado pelo Brasil com seu precioso rebento literário.

casaldaliga

 

A autora, corajosamente teimosa, como Pedro, decidiu enfrentar o risco de escrever a biografia de um homem extraordinário e conseguiu brilhantemente apresentar os muitos “Pedros” que há no Pedro: poeta, profeta, místico, revolucionário, definitivamente humano. Para isso, fez algo fundamental: ouviu muito e ouviu as testemunhas que viveram ou vivem com Pedro, são depoimentos e narrativas reais que dão autenticidade e leveza ao texto.

Casaldáliga nasceu na Espanha em 1928 e mudou-se para o Brasil em 1968. Mato Grosso, na região do Araguaia, foi onde começou seu trabalho religioso, mas, com características marcantes para além da fé cristã. Praticou uma evangelização sem colonialismos, vinculada à promoção humana e à defesa dos direitos humanos dos mais pobres.

O Bispo promoveu a criação de comunidades eclesiais de base com líderes de origens sociais mais humildes e, junto a eles, esteve sempre envolvido nas lutas e esperanças do povo. Na diocese onde se estabeleceu implantou estrutura participativa, corresponsável e democrática.

Outra característica marcante de sua atuação como bispo foi o fato de preferir não utilizar os tradicionais trajes eclesiásticos, em vez da mitra, preferia o chapéu de palha, em vez de um anel de ouro, utilizava um anel de tucum.

A autora

Ana Helena Tavares nasceu no Rio de Janeiro em 1984, o ano das Diretas Já. É jornalista, formada pela Facha, e mantém o site de jornalismo político "Quem tem medo da democracia?". Já lancçou dois livros-reportagem: "O problema é ter medo do medo" e "Bandeira de Luta", ambos pela editora Revan.

Os lançamentos

Casaldáliga recebeu recentemente - com muita justiça -, o título de Doutor Honoris Causa pela Unemat, pela relevância da sua obra e de sua atuação como intelectual, religioso e ativista social.

Nas três cidades mato-grossenses que sediam o lançamento de  "Um bispo contra todas as cercas", comunidades universitárias marcam presença, com a realização de mesas redondas.

Em Cáceres o tema da mesa foi “A poética de Pedro Casaldáliga”, com participação de Edson Flavio Santos, Olga Maria Castrillon-Mendes, Maria Elizabete e a autora do livro, Ana Helena Tavares.

Em Tangará, nesta terça, o tema da mesa se repete e os professores da Unemat, Flavio Santos e Olga Maria Castrillon-Mendes também estarão presentes. O evento acontece no auditório da Unemat de Tangará da Serra, a partir das 21h.

Em Cuiabá o lançamento terá vez no IL-UFMT, às 19h. Às 20h acontece a mesa redonda com a participação de Célia da Rocha Reis, Marinete Luzia Francisca de Souza e Michael Jonathan Souza Santos; explorando o tema “Trabalhos críticos sobre a poética de Pedro Casaldáliga”.  

Os eventos têm entrada franca e fazem parte do "Circuito Pedro Dasaldáliga - Palavras em Trânsito", e contam com a parceria entre UFMT e UNEMAT.

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Em Cáceres, o evento contou com a participação de Maria Elizabete, Ana Helena Tavares, Olga Maria e Edson Flavio

Conversa com Pedro

Já disseram e assumo sempre que o tyrannus é um "site pessoal". Assim sendo, sou eu mesmo. E aproveito pra narrar uma única experiência que tive com Pedro. Foi no começo dos anos 1990, para um jornal de Cuiabá, por telefone. Impactante demais. Conhecedor de seu importante trabalho humanitário e do que ele representava, nervoso, exerci um tratamento super respeitoso. Após 30 segundos de conversa, Casaldáliga já tinha me desarmado de toda e qualquer informalidade, colocando-se em plena igualdade comigo. Aquele tipo de coisa que a gente jamais esquece.

E quando comecei a editar o tyrannus em seu formato site, em 2012, vasculhando pela internet poetas e poesias, em 2013, publiquei o poema de Pedro, que reproduzo abaixo:  

Enterrem-me no chão

como tanto peão
que tombou nesta guerra: 
sem nome e sem caixão. 
Só reivindico o póstumo direito 
de sentir liberada toda a terra 
sobre o cartório comunal do peito. 


(*com assessoria e wikipedia)

 


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