FOTOJORNALISMO

Flagrantes do campo na América do Sul



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Foto de Rafael Sampaio Martins (profissional), vencedor na categoria campo

Vital. Do dicionário: que é necessário para a manutenção da vida, ou que a afeta de maneira essencial.  Assim se caracteriza o campo. E é isso que retrata a Exposição Itinerante 13º Prêmio New Holland de Fotojornalismo, aberta no Museu da Imagem e do Som Lázaro Papazian Chau (Misc).

As imagens retratam as múltiplas perspectivas do campo e podem ser apreciadas pelo público, com entrada franca. 

Dentre elas, o campo andino de Lucas Ninno, fotógrafo cuiabano que teve um de seus retratos selecionados para compor esta mostra internacional.

Foram 3.040 imagens inscritas nesta edição do prêmio, que reuniu as melhores fotografias do campo da América do Sul. Os vencedores são Rafael Sampaio Martins (Brasil) e Jorge Gastón Gándara (Argentina), na categoria “Profissional”, e Elias Rodrigues de Oliveira e Gustavo Pereira Castro, ambos brasileiros, na categoria Aficionado (Amador). A exposição é uma curadoria de 30 fotografias selecionadas, dentre elas a do fotógrafo cuiabano.

"Tem uma coisa, a pureza de um modo de vida, antigo, ancestral que vai ficando pelo caminho. É um contraste bastante grande com o que a gente é acostumado a ver em Mato Grosso”, explica Lucas Ninno sobre a história de sua foto selecionada para a exposição.

Um broto. Um sopro da vida. Uma garotinha caminha no campo que há muito foi e ainda é ocupado por seus ancestrais. Do povoado indígena Pecataya, na Bolívia para o mundo digital e agora, para as paredes do MISC em Cuiabá, a fotografia de Lucas Ninno remete ao contraste de dois impérios: um, retratado na foto, de um manejo do solo quase milenar; o outro, a contemporaneidade da terra do agronegócio, que recebe a exposição.

“É interessante ter esses dois lados do campo: o maquinário, as grandes produções, essa coisa mais suntuosa do campo de Mato Grosso, que é a produção de commodities; e esse da agricultura familiar e toda a cultura que gira em torno das pessoas do campo. É interessante ver os dois lados pra ter uma visão mais ampla e tirar nossas conclusões e críticas também”, exemplifica Ninno.

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Imagem do cuiabano Lucas Ninno (profissional), selecionada na categoria campo

A foto foi registrada em 2014 durante a viagem de Ninno pela Bolívia. Ele conta que chegou ao povoado a convite de um amigo que conheceu na viagem. Durante dois dias ele ficou hospedado na casa da matriarca Juana Villegas capturando histórias que a lente conta.

“Eu fui a convite de um amigo que eu fiz viajando, o Julio e foi bem interessante, fiquei com a família dele esses dois dias. A mãe dele é quéchua, não fala nada de espanhol e a menininha da foto é a neta desta senhora. E os netos dela já não falam o quéchua então é curioso a forma de comunicar com a avó. Então nem tudo que a avó fala eles entendem e nem tudo que eles falam a avó entende”, comenta Ninno.

O fotógrafo frequentemente manifesta apreço pelo início de sua trajetória na profissão mencionando um de seus mentores, o fotógrafo José Medeiros, que teve seu trabalho selecionado na 12ª edição do Prêmio e é um dos jurados da edição de 2019. Talvez Medeiros tenha transmitido a Ninno a paixão pelo retrato da gente da lida, da terra. E então temos duas das muitas Américas: andina e pantaneira. Dois contextos histórico-sociais capturados pelas lentes de dois brasileiros

“O desafio é mais de encontrar uma boa história pra contar, algo que seja específico de uma região, mas que sirva pra gente levantar assuntos e questionamentos sobre os temas macros né, então a gente parte às vezes pra uma região especifica, pra encontrar histórias que simbolizem uma discussão maior, mais global, eu acho que esse é o desafio, de fazer isso de uma maneira que faça sentido, que consiga de alguma maneira impactar as pessoas e lançar questionamentos”, finaliza o fotógrafo.

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Fotografia de Fausto Orli da Rosa (amador), menção honrosa categoria máquina

O Prêmio

O Prêmio New Holland de Fotojornalismo é um dos mais tradicionais concursos do segmento da América do Sul. Em 13 anos de história, cerca de 25 mil imagens foram inscritas. A organização do prêmio já realizou 60 workshops e 200 exposições em 115 cidades de cinco países para um público total de 510 mil pessoas.

Além de Cuiabá, a exposição acontece simultaneamente em Curitiba (PR) e, depois, em Petrolina (PE), Córdoba (Argentina) e Bogotá (Colômbia). Na capital mato-grossense, Sérgio Ranalli e José Medeiros, jurados do Prêmio, ministram uma oficina de fotografia durante a programação.

O prêmio é um projeto cultural realizado pela Mano a Mano Projetos, apoiado pela Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura e patrocinado pela New Holland e Banco CNH Industrial. A exposição conta ainda com o apoio da Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, e da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo e do Museu da Imagem e do Som Lázaro Papazian Chau, em Cuiabá.

Relação dos fotógrafos que participam da exposição itinerante:

Rafael Sampaio Martins (Profissional/Campo)
Jorge Gastón Gándara (Profissional/Máquinas)
Elias Rodrigues de Oliveira (duas fotos Amador/Campo)
Gustavo Pereira Castro (duas fotos Amador/Máquinas)
Fernando Kluwe Dias (Profissional/Campo)
Jonathan Campos (Profissional/Máquina)
Rafael Saldanha (Amador/Campo)
Fausto Orli da Rosa (Amador/Máquinas)
João Carlos Silva de Castro (Profissional/Campo)
Mastrangelo de Paula Reino (Profissional/Campo)
Marcio Corrêa Menasce (Profissional/Campo)
Weimer de Carvalho Franco (Profissional/Máquinas)
Marco Miatelo (Profissional/Máquinas)
Juan Manuel Barrero Bueno (Profissional/Campo)
Jonathan Campos (duas fotos Profissional/Campo)
Fabian Muños Docampo (duas fotos Profissional/Campo)
Tadeu Vilani (duas fotos Profissional/Campo)
Joel Rocha (Profissional/Campo)
Ricardo Zig Koch Cavalcanti (Profissional/Máquinas)
Lucas Ninno Ometto (Profissional/Campo)
Paulo Fridman (Profissional/Campo)
Fernanda de Sousa Nogueira (Amador/Campo)
Renato Jorge Marcelo (Amador/Campo)
Idirlene Casarin (Amador/Campo)
Breno Lima (Amador/Campo)

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Fotografia de Elias Rodrigues de Oliveira (amador), vencedor na categoria campo

 

SERVIÇO:

O QUE: Exposição Itinerante 13º Prêmio New Holland de Fotojornalismo 
QUANDO: 13 de junho a 25 de junho
QUANTO: entrada gratuita
ONDE: useu da Imagem e do Som – Lázaro Papazian Chau, na rua Voluntários da Pátria n. 79, esquina com 7 de Setembro, Centro, Cuiabá (MT)
HORÁRIO: Segunda a Sexta: 8h - 12h | 13h30 - 18h Sábados e Feriados: 8h - 16h
VISITA AGENDADA: (65) 3617-1238

(*da assessoria da Prefeitura de Cuiabá)


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