EXPOSIÇÃO COLETIVA

Em cartaz até 15 de outubro



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Marcelo Velasco

Até 15 de outubro está aberta na Galeria Lava Pés a exposição coletiva Sen[s]ação. Reúne trabalhos de cinco nomes que atuam há vários anos no cenário das artes mato-grossenses: Vitória Basaia, Gonçalo Arruda, Miguel Penha, Junne Fontenele e Marcelo Velasco.

Inaugurada na sexta-feira (16) passada, a mostra traz um apanhado rico e diverso da produção desses artistas, através de técnicas e estilos variados e está à altura da pujança verificada no momento atual da nossas artes visuais. Cai bem a iniciativa da Secretaria De Estado de Cultura, Esporte e Lazer - Secel, responsável pela sua realização, abrigando-a no espaço da sua sede, a Galeria Lava Pés.

Vale o registro de que a gestão cultural do Governo de MT, que assumiu lá se vão quase oito meses, ainda não mostrou a que veio e já causa uma certa inquietação no meio artístico. "Sen[s]ação", porém, revela uma capacidade de saber pensar e também realizar, neste caso, algo que privilegia o setor das artes visuais, por meio das pinturas, esculturas e instalações expostas. É preciso, até com uma certa urgência, que mais iniciativas similares e que contemplem todos os saberes e fazeres culturais sejam praticados pela Secel 

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Vitória Basaia (detalhe)

Na tarde de quarta (21) o tyrannus foi conferir "Sen[s]ação". O que se percebe é uma criteriosa escolha de obras (e artistas), que convidam o público à uma experiência estética interessante, além da proposta de diálogo que o conjunto de obras sugere ao público. Há intenções e propriedade ao realizá-las da parte da curadoria, assinada por Marcelo Velasco, um dos artistas expositores.

O sucesso do evento também merece ser creditado ao trabalho de montagem e expografia, assinado pelo experiente Ageo Luiz Bastos Villanova, que colaborou com a realização.

"A arte é a linguagem das sensações, está presente em tudo que existe, e até mesmo naquilo que ainda está porvir. A arte existe a partir de uma composição estética que promove uma sensação. Não é meramente uma composição técnica. A arte é pensamento... a visão existe pelo pensamento, e o olho pensa, mais ainda do que escuta", escreve Velasco no catálogo da mostra.

Os artistas

Está correto o que diz Marcelo Velasco, artista visual com trajetória já consolidada, doutorando do Estudo de Culturas Contemporâneas da UFMT. Em "Sen[s]ações" Velasco participa com poucos, mas expressivos trabalhos em acrílica sobre tela, com dimensões generosas. Faz recortes coloridos e representativos de ambiências internas de casarios cuiabanos, trabalhando composições que remetem ao que se vê - ou se via mais, noutros tempos, dentro das tradicionais casas cuiabanas. O olhar e a criação do artista perpassam  por esses interiores abarcando seus conteúdos, promovendo cortes assimétricos e valorizando detalhes.

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Miguel Penha

Acompanho a produção de Miguel Penha desde quando ele começou a pintar, acho que na virada dos anos 1970 para 1980. É impressionante o rigor do traço do artista. Iniciou influenciado pelo surrealismo, mas já há três décadas, se não me falha a memória, vem retratando em sua obra a exuberante natureza mato-grossense. Às vezes, se aventura(va) por paisagens reportando imensidões, mas tem se fixado, através daquilo que vou chamar aqui de hiper-realismo, para reproduzir a biodiversidade florística, seja através de recortes, ou de conjuntos. Uma obra de Miguel Penha, praticamente, nos transporta para dentro do cenário natural que abunda em nossas cercanias.

Junne Fontenele é um dos principais escultores de Mato Grosso. Nesta exposição se utiliza do barro queimado para reproduzir a forma humana com uma certa inspiração que remete à religiosidade. Suas peças apresentam o humano em diferentes poses, com estilo original. Há o drama e o sofrimento refletidos na sua criação. É outro artista, cuja produção acompanho há vários anos. Não sou portador de grandes habilidades para discorrer sobre a arte da escultura, mas, sobre Junne Fontenele, o que percebo é um artista que sabe amadurecer, mas que amadurece também na qualidade estética, encontrando o seu melhor caminho e cravando sempre um inconfundível estilo que é uma espécie de assinatura do escultor.

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Junne Fontenele

As artes de Vitória Basaia, uma carioca que virou cuiabana faz horas, são o destaque maior em "Sen[s]ações". A opinião é minha. Aqui ela lança mão de uma técnica mista para mostrar peças disformes produzidas com uma montoeira de coisas que iriam para o lixo, e que viraram arte. Uma arte que tem muito a dizer e o faz, como quem faz direitinho um dever de casa. Compõem o trabalho da artista uma paleta de cores que já são características de Basaia. Essa difusa combinação cromática que vejo em seus trabalhos, são só dela. Aprecio, ainda, na produção dela, o fato de que em sua arte está muito evidente que ela quer dizer algo. Mas, de que se trata o seu discurso? Aí é que está: ela faz o espectador pensar, pensar e pensar... não entrega nada de graça. 

Por fim chegamos a Gonçalo Arruda, aquele mesmo que começou pintando tipos cuiabanos fofinhos e rotundos. Quando conheci sua criação, costumava dizer que ele era algo tipo um Botero cuiabano. Sua fase mais recente, que se verifica em todos seus trabalhos desta coletiva, revela um certo diálogo com a produção de Vitória Basaia. São imagens fortes que reproduzem o humano embutido e/ou misturado a compor com um grande leque de seres imaginários. 

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Gonçalo Arruda

SERVIÇO

O QUE: Exposição Coletiva "Sen[s]ação", com artes visuais de cinco artistas
ONDE: Galeria Lava Lés, na Secel, avenida Lava Pés, nº 510, bairro Duque de Caxias, em Cuiabá 
QUANDO: de 16 de agosto a 15 de outubro
VISITAÇÃO: de segunda a sexta, das 8 às 18h
INFORMAÇÕES: (65) 3613-0232

   

 


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