CINE DIREITOS HUMANOS

Mais seis filmes no terceiro dia da Mostra



divulgação

"Cabra marcado para morrer", de Eduardo Coutinho

Este dia 29 é especial na Mostra de Cinema de Direitos Humanos, que prossegue até domingo no Sesc Arsenal. Mais seis títulos são exibidos, entre eles, dois documentários de Eduardo de Oliveira Coutinho, cineasta brasileiro, o homenageado desta sétima edição do evento.

Coutinho é paulistano e nasceu em 1933 e é apontado como um dos principais documentaristas da atualidade, acumulando vários prêmios. Seu trabalho caracteriza-se pela sensibilidade e pela capacidade de ouvir o outro, registrando sem sentimentalismos as emoções e aspirações das pessoas comuns.

Chegou a cursar direito em São Paulo, mas não concluiu o curso. Com 21 anos teve seu primeiro contato com o cinema, num seminário promovido no Masp. Atuou como revisor na revista Visão nos anos 50 e chegou a trabalhar como diretor de teatro. Sua vida mudou quando venceu um concurso de televisão respondendo perguntas sobre Charles Chaplin. Com o dinheiro recebido, se mandou para a França onde estudou direção e montagem de cinema e ali mesmo dirigiu seus primeiros curtas.

Filmes de quinta

"À margem da imagem", de Evaldo Mocarzel

As sessões começam às 14h com o curta "Extremo", produção brasileira de 2011, 24 minutos, e direção de João Freire e classificação indicativa para 10 anos. A novidade nesta exibição é a audiodescrição, que privilegia deficienets visuais. Na história, numa comunidade situada no Distrito Federal, os moradores não têm seus direitos básicos garantidos, e lá não existem condições para mudar a situação. Como contraponto, é apresentado o bairro de Santo Amaro, em Recife, que no passado recente enfrentou problemas semelhantes e conseguiu transformar esse quadro graças à parceria entre sociedade e poder público.

Em seguida será exibido "À Margem da Imagem" (2003), longa brasileiro de Evaldo Mocarzel, para maiores de 10 anos. O documentário apresenta um painel sobre as rotinas de sobrevivência, o estilo de vida e a cultura dos moradores de rua de São Paulo, abordando temas como exclusão social, desemprego, alcoolismo, loucura, religiosidade, degradação urbana, identidade e cidadania. O filme também trabalha a questão do roubo da imagem dessas comunidades, promovendo, assim, uma discussão ética dos processos de estetização da miséria.

Às 16h outra sessão com audiodescrição. "Santo Forte", de Eduardo Coutinho, documentário de 1999 com classificação indicativa para 12 anos explora o temas da diversidade religiosa e a igualdade racial. Em 5 de outubro de 1997, uma equipe de cinema entra na favela Vila Parque da Cidade, na zona sul do Rio de Janeiro. Os moradores assistem à missa celebrada pelo Papa no Aterro do Flamengo. Em dezembro, a equipe retorna para descobrir como os moradores vivem a experiência religiosa.

Às 18h o tema do documentário produzido em parceria entre Bolívia e Itália trabalha os direitos das populações tradicionais. Dirigido por Andrea Ruffini, esta produção de 2010 tem 34 minutos. A Nova Constituição Política do Estado boliviano reconhece a igualdade entre a justiça ordinária e a indígena. Por meio de julgamentos indígenas na região de Potosí e encontros entre os representantes das duas justiças, o filme explora a situação de pluralismo jurídico na Bolívia. Para maiores de 12 anos.

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"Justiça", direção de Andrea Ruffini

"Último Chá" (Brasil/2012), de David Kullock, é uma ficção de 97 minutos com classificação para 12 anos. O combate a tortura é investigado através da história de Don Glauco, um solitário que vive em um velho casarão em demolição. Ocupados na tarefa, os demolidores não têm certeza se de fato há alguém na casa. Entre vozes e ruídos da demolição, Don Glauco vê seu passado vir à tona. Pedro, o filho assassinado pela ditadura militar, ressurge por entre as frestas da casa, para um acerto de contas. Da mesma forma, aparecem Dona Ana, Pedrinho, os policiais que o torturaram e outras pessoas, provocando um enorme desassossego em Don Glauco. Presente e passado se confundem entre demolição interna e externa.

A sessão que encerra o dia, às 20h30, traz o documentário "Cabra Marcado para Morrer" (Brasil, 119 min, 1984), de Eduardo Coutinho, com classificação indicativa para 12 anos. Aspectos como o direito à memória e à verdade, conflitos agrários e direitos das populações tradicionais estão em cena. O golpe militar de 1964 interrompe as filmagens que Eduardo Coutinho realizava sobre o líder camponês João Pedro Teixeira, assassinado a mando de latifundiários do Nordeste. Após 17 anos, o diretor retoma o projeto e procura a viúva Elizabeth Teixeira e seus dez filhos, dispersados pela onda de repressão que seguiu o assassinato.




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