2012/2013

Reveillon em Paris



felipe albues martins

Sem legenda... é só pra ver mesmo

Foi uma festa e tanta! O nosso reveillon , (digo nosso porque Felipe, meu filho e sua namorada Monica chegaram tambem à Paris) foi no La Java, um clube, em Belleville, cujo edificio foi construido em 1924, local onde Edith Piaf e Maurice Chevalier fizeram as suas primeiras apresentações, antes de se tornarem famosos e por onde passou tambem o maravilhoso cigano Django Reinhardt, com seu jazz manouche, e inúmeros outros artistas. Mas não pensem que a história parou aí.

Nos anos 80 , foi a Meca do som urdenground em Paris e continua sendo um espaço onde se encontra de um tudo: músicas latinas, pop, rock ,electro, funk, world music, etc, etc… A indicação do lugar foi feita por uma amiga marroquina, Miryem Aboutharer, que tem sido minha fada-madrinha aqui na Cidade Luz. Dançamos até as 5hs da manhã ao som das bandas ciganas “Aalma Dili” ( Melodia da Alma ), e Zivili Oskestar, ambas com uma levada que mistura tradição e modernidade da música dos Balcãs e um Dj que atacava com gypsy-punk, electro-tzigane e balcãs-reggae.

Lembrei de um monte de gente, Luciana Prieto, Bill, Lucia Palma, Ana Paula, Carmem Lucia e Carlinhos, Luiz Borges, Lidiane, Ana Amelia Marimon, Josana Salles, Iolanda, Aluizio Azevedo, Adriana e Rai, Fátima e Lorenzo, o meu compadre Danilo Bareiro, Eduardo Ferreira e Drailer, excelentes músicos que, tenho certeza, adorariam estar nesta virada de ano cigana. De alguma forma estavam, uma voz interior acaba de me dizer. Santé !

Dia seguinte acordamos tarde como era de se esperar. Resolvemos dar uma volta no início da noite (que no inverno é sempre muito cedo, tipo assim 17h da tarde) pelos arredores da Pont Neuf, a ponte mais antiga de Paris. Não resistimos e resolvemos fazer um programa super turístico, a viagem de barco pelo rio Sena que passa em frente ao Louvre, Musée D’Orsay, ponte Alexandre III ( lindíssima), Notre Dame e outros inúmeros monumentos importantes da cidade. E foi aí que o bicho pegou…

Ao passarmos em frente à Torre Eiffel, toda iluminada, e com um jogo de luzes de arrepiar. Ao fundo, o céu negro da noite , conferia um tom dramático, barroco, à esta cena de claro e escuro. Confesso, me emocionei. Acho que me pegou desprevenida. Depois, pensei. Vir à Paris e não ver a torre de perto é que nem ir ao Rio de Janeiro e não subir de bondinho no Pão de Açúcar e no Corcovado, ou ir à Cuiabá e deixar de conhecer o Pantanal. Fica faltando algo. Para sempre. As fotos aqui postadas são do Felipe.

Fomos depois ao Café du Pont Neuf, de onde pode se ver também a torre e nos deliciamos com um confit de canard (coxa de pato conservada na própria gordura do dito cujo) e deliciosas carnes grelhadas, acompanhadas , como sempre pelas habituais batatas fritas francesas e um bom vinho. Um luxo ! Ao voltarmos para casa, Felipe pegou um carro elétrico que a Prefeitura disponibiliza aos usuários mediante uma inscrição mensal de 30 euros e pagamento de 5 euros por cada meia hora utilizada.

A coisa funciona assim: há milhares de estacionamentos espalhados por toda a cidade, você pega um carro no estacionamento mais próximo e o deixa em qualquer ponto que desejar. Olha só o nome: auto libre comme l’air. De posse de um cartão magnético você abre e dirige qualquer um deles. E se você tiver um carro elétrico próprio, pode também utilizar esses estacionamentos para carregar a bateria. É saudável para o meio ambiente e muito cômodo para todos. Há de chegar o dia em que toda tecnologia inventada pelos homens seja direcionada apenas para o bem da humanidade!

felipe albues martins

O legendador tem a desconfiança que as duas tiritavam de frio

Pode ser uma coisa boba, mas senti uma onda de bem estar ao ver meu filho dirigindo pelas ruas parisienses, Monica como navegadora usando o GPS, e eu no banco de trás, só apreciando as ruas, prédios, jardins , os transeuntes, a vida passando…o começo de um novo ano.

Por um momento achei que nasci aqui em alguma outra vida! Ri de mim mesma . Por que quando se trata de vidas passadas a gente se acha? É um tal de ser rainha, sacerdotiza, e coisas do gênero? Em vidas passadas posso também ter nascido em Quixaramobim ! Mas, enfim, agora e aqui, dou gracias a la vida, como cantava Violeta Parra (vi um filme sobre a vida dela que é simplesmente fantástico). E de dentro, lá do fundo, vem novamente a mesma voz interior: eu só quero ser feliz ! Estendo esses votos, aos leitores do Tyrannus e a toda a nossa gente brasileira. Nós merecemos !

*Gloria Albues é cuiabana, passeia em Paris, e escreve para o Tyrannus Melancholicus!




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