TEREZA

Muito carinho à escritora mato-grossense



Liza Papi, uma das idealizadoras do evento, e os filhos de Tereza, Joshua e Max

Foi uma noite e tanto! A homenagem prestada pelo Brazilian Endowment for the Arts – BEA, de Nova York, à Tereza Albues, mais que irmã minha amiga de nascença, foi bem do jeito que ela gosta. Descontraída. Alegre. Todos nós que participamos, pessoas das mais diferentes tribos como é próprio da Tereza cultivar, nos encontramos no mesmo barco, ou talvez seria mais apropriado dizer, na mesma nave, uma vez que estávamos a viajar pela internet. Teve de um tudo, como diria o cuiabano. Cada um à sua maneira, amigos, parentes, pessoas ligadas à sua literatura, deram seus depoimentos, (ou não), em meio a uma tumultuada viagem virtual.

Digo tumultuada porque as conexões via skype, caíam a todo momento. Dava uma certa aflição quando no meio de uma fala o som sumia, a imagem desaparecia da tela ou o convidado era interrompido porque finalmente tinha se estabelecido um link com outro que estava na fila de espera há muito tempo.

O que à primeira vista poderia parecer amadorismo, já que a maioria se declarou marinheiro de primeira viagem nesse meio de locomoção, se transformou no grande mérito da homenagem. Ali, naquela situação, seria impossível manter qualquer atitude de solene oficialidade. Que, cá prá nós, é um saco! E que também não teria nada a ver com a Tereza.
Ao contrário, o que pintou foi uma tremenda camaradagem, cada um tentando ajudar o outro, mesmo que para isso tivesse que sair da nave- mãe, correndo o risco de se perder (como aconteceu com alguns) no escuro espaço virtual. Foi uma viagem repleta de aventuras e surpresas: o que vai acontecer daqui a pouco? Ao final, salvos e felizes, comemoramos. Como ninguém é de ferro, tratamos logo de tomar uma taça de champanhe. Cara de Tereza. No meu caso e de outros desta banda do Atlântico, isso vem com um certo eufemismo. Por isso também tratei logo de tomar um bom copo de cerveja. Cara de Tereza.

Foi muito emocionante rever o meu cunhado Robert Eisenstat e os meus sobrinhos Max e Joshua. A Tereza sempre me dizia que o Max se tornaria um grande escritor, mostrando orgulhosa, os escritos do menino. Com a capacidade que ela tinha de enxergar o tempo, não tenho dúvidas que isso vai acontecer. Palavra de Tereza.

Nunca me esqueço de um acontecimento em minha casa, quando Joshua estava com 15 dias de nascido. Tereza tinha acabado de lhe dar a mamadeira e fomos para a varanda bater papo. De repente, Tereza se levanta abruptamente e diz: meu filho tá correndo risco de vida . Quando cheguei ao quarto vi Tereza sugando com a boca o narizinho de Joshua, que estava cheio de uma coriza escura e consistente que impedia a sua respiração. O menino estava quase roxo. Aliviado… ele chorou. Tinha nascido de novo! Nós duas também choramos. De alegria!

O dramaturgo Gerald Thomas e Robert Einsestat

Não tenho palavras para agradecer ao escritor e professor Domicio Coutinho, fundador e diretor do Brazilian Endowment for the Arts – BEA, em Nova York, responsável pelo evento e que me assegurou a publicação de um livro de contos inéditos da Tereza. Ainda tenho comigo mais um livro de contos e três romances. Todos inéditos. Quem se habilita?

Em 2008, lançamos em edição póstuma o livro Buquê de Línguas, com o patrocínio da Secretaria Estadual de Cultura do Estado de Mato Grosso e para este ano a Editora Carlini & Caniato, responsável também por aquela edição estará publicando em parceria com o Instituto Cuiabá-Terra Brasilis, o livro de contos Nó-de-Rosas.

À Liza Papi, grande amiga da Tereza, nossa irmã na vida, idealizadora e produtora da homenagem, eu quero dar um abraço daqueles bem apertado. Muito obrigada, querida! Num país de tão pouca memória, como o Brasil, espero que a sua atitude também venha a inspirar outros eventos similares (ou não) aqui, na terra da nossa escritora. Salve Liza !

Tem mais gente a quem eu quero agradecer: Aluizio Azevedo e Marco Aurélio que me deram a maior força no skype aqui em Brasilía, Alcinda Saphira, Gustavo Braga, Teresa PInto Johnson, prof. Mário César Leite (UFMT), Lorenzo Falcão, Izan Petterle Prof. Robert Moser, Prof. Luciano Tosta (responsáveis pela publicação de uma belíssima antologia de autores de língua portuguesa que escreveram sobre os Estados Unidos, entre os quais, a nossa querida Tereza), Clifford Landers, (amigo e tradutor de Pedra Canga ) e sua esposa Vasda Bonafini (que prestou muito conforto emocional à minha irmã durante a doença) e Gerald Thomas, por quem Tereza tinha uma especial afeição.

As palavras de encerramento do Prof. Coutinho, que na verdade foi mais um bate-papo com a Tereza me fez pensar que o tempo é, não foi nem será, e que as pessoas só morrem quando deixam de viver em nós. E Tereza Albues habita em nossos corações. Que o diga, vovó Cabinda…

*Gloria Albues é diretora de teatro e de cinema e escreve crônicas para o Tyrannus Melancholicus





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