MANUSCRITOS

Chico em prosa e verso



Foi emocionante a crônica que o Lorenzo Falcão escreveu sobre o seu compadre Chico Amorim. Tá na minha cabeça desde que a li e de lá não sai. Emocionante, é pouco. A gente reencontra o nosso - e de tantos – amigo, inteiro naquelas letras.

Conversando com André Mux, na casa de quem estou hospedada no Rio de Janeiro e outro grande amigo de Chico, ele me mostrou a carta que recebeu do próprio, em meados dos anos noventa, época sem internet, quando as cartas ainda eram manuscritas. Nossa, parece que faz uma eternidade! Mas é só o tempo a pregar peça na gente. Há também um poema intitulado “André Mux and Feld, forever”, e outro intitulado “Uma prece para Vera Fisher”. Cara do Chico. Rimos muito e a saudade tomou conta. De nossos corações e mentes.

Então juntos decidimos tornar público esses escritos, como uma forma de homenagear o morto mais vivo de Cuiabá, como diria o Lorenzo. Algo no gênero “Chico Amorim por Chico Amorim “. Deliciem-se! Inclusive com o acaso, embora muitos não acreditem em coincidências como já cantava Tetê Espindola na sua música, "estava escrito nas estrelas". Mas o fato é que em uma das página da agenda onde ele escreveu os poemas, está impresso o seguinte texto, sem o nome do autor: “E aqui, do lado de fora, neste mundo em que vivo, como tudo é diferente! Tudo, ó menino do aquário, é muito diferente do teu sonho…(só os cavalos conservam a natural nobreza ). Bom chega de papo e de escrevinhação. Com voces, o ma-ra-vi-lho-so Chiiiico Amoriiim, psicografado por Scaner’s Pixé ( Michelle Thomas).

CHICO EM PROSA

Cuiabá, madrugada de 18 de dezembro de 1995

Querido amigo André,

Estou tão destreinado de escrever carta que a minha primeira intenção ao começar esta foi “Espero que esta o encontre bem, junto aos seus, gozando saúde e felicidade…”
Como sou antigo, não?

Mas, de qualquer forma eu nunca agradeci como devo, a gentileza com que fui tratado por você quando aí estive. Pelo telefone a gente nunca tem clima pra falar essas coisas, né? A eficiência do veículo inibe a poesia.

Minha estada aí, nossos inesquecíveis passeios pela praia e a amenidade daqueles dias estão gravados na minha memória naquele departamento onde ficam os “MOTIVOS PELOS QUAIS VALE A PENA VIVER”ou como diriam os mais “sensíveis” (estou vivendo um momento lindo da minha vida ) porém o que estou expressando através desta carta vem do fundo do coração como tudo em nossa relação de amizade. É bem verdade que você pode imaginar: Chico está louco, não consegue dormir, e fica com esse lero-lero mas, depois, pode pensar : é nessas (h)oras que a gente fica assim…assim…

Bom.

O favor que eu te pedi por telefone, tem uma importância muito grande prá mim.

Seguinte.

…Vire

CHICO EM VERSO

André Mux and feld* forever

A casa de pensão
Dos poetas deserdados
Mãe dos gaúchos
Protetora dos garçons
Madrinha dos cuiabanos
Rainha dos aposentados
Soberana dos Alexis
Uma santa que cheira…

(que termina com uma intervenção poética de André Mux inspirado em São Benedito)

…cheira cravo e rosa, cheira flor de laranjeira.

*feld não está lá na sua mais perfeita ortografia, talvez porque Chico era mais do latim, do que do inglês


Uma prece para Vera Fisher

Salve Rainha, mãe dos
telespectadores do Brasil
filhos de Eva
onde está o nosso Adão
A rainha existe
Antes do mundo
Deus é homem
Deus é mulher
Vera é Fisher

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