RETROSPECTIVA

As duras esquinas de Sampa



"Da dura poesia concreta de tuas esquinas"

A protohistória do grafite no Brasil, sem dúvidas, passa por Alex Vallauri. Hoje folheando a Folha de SP (shiiii, apenas uma figura de linguagem por que... não interessa), deparo-me com uma notícia que me deixou feliz: Uma retrospectiva de Alex Vallauri, no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, um retorno... pois em 1970, aos 21 anos ali realizou sua primeira exposição individual.

O criador da "Rainha do Frango Assado" volta à cena apresentando 170 obras em técnicas e suportes variados: sua primeira aquarela até os últimos trabalhos: a reprodução de sua sala especial na 18.ª Bienal de São Paulo em 1985, sob a curadoria de João Spinelli.

Na retrospectiva (que abre hoje e fica até 23/06) está a coleção de suvenires, estênceis, máscaras e gravuras, "uma necessidade acumular suvenires e objetos inúteis" escreveu o artista.

Alex Vallauri nasceu na Etiópia em 1949. Aos 16 desembarca no Brasil e instala-se em Santos-SP e depois na capital paulista. Em Santos, inicia a trabalhar com xilogravura e é premiado no Salão de Arte Jovem. Em 70, expõe individualmente na Associação Amigos do Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP.

Forma-se em comunicação visual, especializa-se em litografia no Litho Art Center de Estocolmo, Suécia. Em Nova York faz o curso de artes gráficas no Pratt Institute, torna-se amigo de Warhol, Jean-Michel Basquiat e Keith Haring. De volta ao Brasil participa da Bienal Internacional de São Paulo em 1971, 1977, 1981 e 1985, quando apresenta a instalação "A Festa Rainha do Frango Assado", uma reunião dos graffitis simulando ambientes domésticos, uma casa repleta de utensílios da sociedade de consumo. Em 1988, Viva Vallauri faz uma retrospectiva de suas obras, no Museu da Imagem e do Som - MIS, em São Paulo.

As intervenções de Vallauri fizeram parte da paisagem urbana da velha sampa, na época dura da ditadura militar, desafiando o establishment munido apenas com uma lata de spray. Vallauri mostrou através de seu olhar e nossas vazias e tristes vidas... o resultado? é o que há de mais kitch no grafite e pop arte brasileira.
Em 2011 Spinelli publicou "Alex Vallauri - Graffitti", pela Editora Bei; em junho deste ano mais duas novas publicações: sua prima Beatriz Rota-Rossi lança "Alex Vallauri - Da Gravura ao Grafite", pela Olhares e pela Olhares sai "Já Era Jacaré - Rolê pelo Grafite de Alex Vallauri", de Renata Sant'Anna que traduz para o universo das crianças alguns pontos da obra do artista.

O Dia do Graffiti é celebrado no mundo todo em 27 de março, homenagem a Alex Vallauri, que morreu no dia 27 de março de 1987, vítima da Aids.

O criador e a criatura









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