DIREITOS HUMANOS

Audiência ouviu 13 pessoas



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"As famílias da gleba Taquaruçu do Norte, onde ocorreu a chacina, vivem uma realidade difícil, sem posto de saúde e escola. Elas veem a presença dos órgãos públicos neste momento como sinal de esperança e de justiça" (Willian Oguido Ogama, promotor do caso)

Sete meses depois da chacina de Colniza (MT), em que nove trabalhadores rurais foram mortos, cinco testemunhas de acusação, sete de defesa e um policial civil prestaram depoimento na primeira audiência judicial sobre o caso esta semana. A Justiça de Mato Grosso acolheu denúncia do Ministério Público do estado por homicídio triplamente qualificado contra quatro acusados de participar da chacina.

Segundo o promotor do caso, Willian Oguido Ogama, os depoimentos prestados na audiência apontam contradições na versão das testemunhas de defesa e contribuem para elucidar o contexto em que ocorreu a chacina. “Importante mencionar que, apesar de em alguns momentos a defesa colocar no processo que [as vítimas] seriam grileiros ou sem-terra, ficou evidenciado na audiência que eles são trabalhadores da região que não ameaçavam ninguém, não geravam danos a ninguém”, afirmou.

“As famílias da gleba Taquaruçu do Norte, onde ocorreu a chacina, vivem uma realidade difícil, sem posto de saúde e escola. O acesso ao local é péssimo. Elas veem a presença dos órgãos públicos neste momento como sinal de esperança e de justiça. Não que isso vai reverter e trazer de volta os familiares, mas talvez esperança de uma vida melhor e de viver no local com tranquilidade, podendo trabalhar e plantar, dignamente, sem ameaça dos encapuzados”, acrescentou o promotor.

O representante da Comissão Pastoral da Terra Cristiano Cabral criticou o Poder Público e disse que a violência na região continua, com famílias e trabalhadores rurais ameaçados por grupos interessados na extração de minério e madeira, além de pecuaristas. “Eles não se sentem amedrontados com toda essa mobilização do Ministério Público e da polícia. Em Mato Grosso já são 136 pessoas assassinadas e nenhum mandante foi preso”, ressaltou.

O juiz da Comarca de Colniza, Ricardo Frazon Menegucci, vai continuar com o processo e aguarda mais informações. O caso pode ser levado a júri popular pela suspeita de crime doloso contra a vida. “Decidi manter o processo comigo. As partes fizeram alguns requerimentos. Vou precisar rever os depoimentos para analisar e fundamentar bem a decisão”, afirmou o magistrado.

O réu Pedro Ramos Nogueira ainda será ouvido no Fórum de Colniza nas próximas semanas. Os acusados Paulo Neves Nogueira e Moisés Ferreira de Souza irão prestar depoimento por carta precatória em Rondônia, onde estão detidos. O réu Valdelir João de Souza, acusado de ser o mandante do crime, está foragido.

Para a defesa de Valdelir, os depoimentos prestados na primeira audiência judicial evidenciaram que ele não tinha qualquer tipo de conflito ou disputa com as vítimas. A defesa de Pedro, apontado como executor da chacina, também alega que ele nunca teve qualquer conflito com assentados, tampouco ameaçou trabalhadores rurais. A reportagem não conseguiu resposta dos advogados dos demais acusados. (*da Agência Brasil)


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