ARQUEOLOGIA

Descoberta provoca novas especulações



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A análise dos ossos da espécie extinta - Rhinoceros philippinensis - não deixou dúvidas de "que mostraram sulcos deixados por ferramentas"

Os primeiros humanos que vagavam pelo leste da Ásia há mais de meio milhão de anos eram inteligentes o bastante para construir embarcações marítimas e curiosos o suficiente para atravessar uma vasta extensão de mar aberto?

Esta e outras questões surgem com a descoberta nas Filipinas de um esqueleto de rinoceronte esquartejado e das ferramentas de pedra usadas para cortar sua carne, disseram pesquisadores nesta quarta (2).

A descoberta faz recuar em dez vezes a chegada da primeira espécie homo na cadeia de ilhas, até 700 mil anos atrás, relataram na revista Nature.

Pistas arqueológicas anteriores da ilha de Luzon - ferramentas em um local, restos de animais pré-históricos em outro - sugeriram a presença de espécies humanas primitivas, ecoando a maneira como o Homo erectus e o Homo floresiensis provavelmente povoaram o arquipélago indonésio durante aproximadamente o mesmo período.

Mas até agora, as primeiras evidências confirmadas de homininis - o termo científico usado para agrupar humanos modernos e primitivos - nas Filipinas vieram de um único osso de pé de 67 mil anos desenterrado nas montanhas de Sierra Madre.

"Tivemos a sorte extraordinária de encontrar um rinoceronte quase completo e desarticulado", disse Thomas Ingicco, paleoantropólogo do Museu Nacional de História Natural da França e principal autor do estudo.

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Thomas Ingicco, paleoantropólogo do Museu Nacional de História Natural da França e principal autor do estudo

A análise dos ossos da espécie extinta - Rhinoceros philippinensis - não deixou dúvidas de "que mostraram sulcos deixados por ferramentas", disse à AFP.

Algumas das marcas de corte foram feitas durante a remoção de carne, enquanto outras vieram de ferramentas especializadas destinadas a remover o nutritivo - e, sem dúvida, delicioso - tutano.

Ingicco e seus colegas também descobriram os restos de esqueleto de outras criaturas potencialmente saborosas, incluindo cervos marrons, tartarugas de água doce e stegodons, mamíferos extintos que combinavam características de elefantes e mamutes.

- Colonização acidental -

"Sabemos que algumas espécies de humanos comiam este rinoceronte", disse Ingicco. "Mas não sabemos se eles o matavam antes ou encontravam sua carcaça".

No total, o sítio de Kalinga, no Vale do Cagayan, ao norte de Luzon, continha mais de 400 ossos e dezenas de ferramentas, incluindo 49 lascas semelhantes a facas e dois martelos.

"Essas evidências empurram para trás o comprovado período de colonização das Filipinas em centenas de milhares de anos", concluíram os autores.

Várias técnicas de datação aplicadas aos restos do rinoceronte determinaram sua idade em entre 631.000 e 777.000 anos, situando-o no período conhecido como Pleistoceno.

Sem nenhum vestígio direto dos humanos que esquartejaram os animais, os pesquisadores só podiam especular sobre quem eles eram e como chegaram lá.

O Homo erectus - conhecido por ter vagado até a China (atual) e o Sudeste Asiático até milhões de anos atrás - é um candidato.

Também é possível que os açougueiros de Kalinga já tivessem evoluído para uma subespécie distinta, como provavelmente aconteceu com o "hobbit" de Flores, humanos diminutos que têm o nome da ilha indonésia onde foram encontrados pela primeira vez.

Sobre como os "Kalinga Man" atravessaram 1.000 quilômetros de oceano aberto entre Luzon e a parte continental da Ásia, os autores duvidam que eles tenham fabricado uma jangada ou outra embarcação.

"A colonização pode ter acontecido 'acidentalmente' depois que um tsunami destruiu o litoral e criou uma ponte temporária de terra, um fenômeno raro, mas documentado", disse Ingicco. 


*Texto reproduzido de http://www.jb.com.br


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