EXPOSIÇÃO

"Terra e Resistência", até 30 de junho



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Luzo Reis flagrando a ambiência da vida no campo

O Museu de Arte e de Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso (MACP/UFMT) abriu na noite desta segunda-feira (28) a exposição fotográfica “Terra e Resistência”, evento integrante da programação da Jornada Universitária em defesa da Reforma Agrária (Jura). 

A exposição “Terra e Resistência” compreende cinco coleções fotográficas que têm em comum a luta pela terra e formas de resistência empreendidas pelos povos sem-terra, indígenas, quilombolas e também pela Universidade.

Além do conjunto de imagens a exposição contou com a ambientação do artista e professor Marcelo Velasco, do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), que também é doutorando do Programa de Pós-graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (PPG-Ecco). 

Outro destaque da exposição é uma grande mandala de sementes construída no centro do salão, idealizada pela artista popular e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará (UFCE), Maria de Lourdes Vicente da Silva, do MST do Ceará.

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Mandala criada por Maria de Lourdes Vicente da Silva, professora da UFCE e artista popular

Confira as coleções:

Territórios Quilombolas: Cosmopolíticas E Resistências

A exposição montada pelo Núcleo de Pesquisa em Antropologia Social Artes, Performances e Simbolismos (NAPAS) da UFMT faz parte do trabalho de pesquisa realizado junto a comunidade de 2013 a 2015.

O trabalho foi desenvolvido com a participação coletiva da Associação Quilombola Negra Rural de Lagoinha de Cima, no município de Chapada dos Guimarães. Lagoinha de Cima é uma comunidade reconhecida e certificada pela Fundação Cultural Palmares como “comunidades remanescentes de quilombos”.

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Flagrante que registra no resultado da violência que é empreendida contra os trabalhadores do campo

A exposição conecta imagens e narrativas das pessoas de Lagoinha de Cima, trabalhadores e trabalhadoras da terra que buscam alcançar os direitos mais básicos para viver. Por meio de suas memórias e vivências eles contam suas histórias e as experiências vividas cheias de afeto, densidade e protagonismo como sujeitos de direito.

A comunidade quilombola Lagoinha de Cima pleiteia junto ao Estado, o reconhecimento como sujeitos de direitos conforme o dispositivo da Constituição Federal Brasileira de 1988, no artigo 68 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que prevê aos remanescentes das comunidades quilombolas que estejam ocupando suas terras o reconhecimento da propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos. A curadoria da mostra é da professora Sonia Regina Lourenço, do Departamento de Antropologia da UFMT.

Exposição ‘Câmera de segurança’

O conjunto de fotos e vídeos retratam a luta indígena no Brasil, em que apreendemos as velhas e novas formas de discriminação, a marginalização e exclusão - elementos de manutenção do colonialismo e, ao mesmo tempo, como as minorias se organizam em processo de resistência.

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Um trabalhador rural pelas lentes de Luzo Reis

O nome 'Câmera de segurança' faz alusão aos aparelhos com lentes de curto ou longo alcance, utilizadas para monitorar residências, espaços públicos, lojas entre outros locais, a fim de registrar pessoas com atitudes suspeitas, por pessoas que querem ter mais segurança. Para compor a obra, trazemos um conjunto de gravações em vídeo e fotografias de atividades que acompanhamos entre os anos de 2013 a 2017. A mostra foi organizada pela professora Naine Terena, da Faculdade Católica de Mato Grosso (FACC-MT) e pelo editor literário e fotógrafo Teo de Miranda.

Ocupação: Acampamento Padre José Ten Cate

A coleção fotográfica do Movimento dos Trabalhadores rurais Sem Terra de Mato Grosso (MST-MT) apresenta os olhares sensíveis e impressionados de Luzo Reis, Nayara Araújo e Nadia Lopez que registraram o processo de ocupação da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Jaciara, Mato Grosso, ocorrida em 13 de julho de 2015, com 600 famílias.

A ocupação recebeu o nome de “Acampamento Padre José Ten Cate”, em homenagem ao missionário que abraçou a causa dos oprimidos, defendendo o direito à vida com dignidade, morto em 2002.

A ocupação sofreu ação de despejo em 31 de agosto de 2015, uma operação policial grandiosa que incluiu tropas motorizadas e de cavalaria, dezenas de soldados e até helicóptero.

Depois do despejo e negociações, as famílias foram transferidas para uma área pública nas proximidades de Jaciara e chegou a abrigar perto de mil famílias.

Hoje, metade delas ainda permanece no acampamento, resistindo a inúmeras pressões, preconceitos e desassistência do Estado. A curadoria dessa mostra é do estudante Júlio César B. Pedroso da Cruz, estudante de Pedagogia da UFM e militante do MST-MT.

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Imagem de trabalhador rural, clicada por Juliana Segóvia

VER-SUS: Vivências e Estágios em Comunidades Quilombola, Sem-Terra e Indígena

Imagens das vivências de jovens universitários participantes do VER-SUS na comunidade quilombola Lagoinha de Cima (Chapada dos Guimarães), aldeia Xavante São Marcos (Barra do Garças), acampamentos do MST Padre José Ten Cate (Jaciara), Renascer (Cáceres) e assentamento Egídio Brunetto (Juscimeira). As vivências fizeram parte da construção de estudantes e docentes da UFMT entre 2015 a 2018 dentro do VER-SUS / Brasil - Projeto Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde, em Mato Grosso.

O VER-SUS é um projeto do Ministério da Saúde criado em 2003 que visa inserir estudantes e integrantes de movimentos sociais na realidade dos serviços públicos de saúde, no intuito de formar futuros trabalhadores para o SUS que sejam comprometidos com seus princípios e diretrizes e sujeitos transformadores da realidade. A professora Aparecida Fátima Camila Reis, do Departamento de Enfermagem da UFMT é a organizadora da mostra.

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Liderança indígena próxima a local onde deveria conquistar maior representatividade

Enfermagem em Foco: olhares sobre a Saúde da População do Campo

As imagens registram a atividade de coleta de dados do Trabalho de Conclusão de Curso de graduação em Enfermagem de Laura Patrícia Teixeira Nogueira, da UFMT, intitulado “Percepções de mães campesinas sobre a caderneta de saúde da criança”, sob orientação da professora Aparecida Camila Reis e apoio das professoras Solange Salomé e Rosa Lúcia Rocha. A atividade foi realizada no Acampamento ‘Padre José Ten Cate’, do Movimento dos Trabalhadores rurais Sem Terra (MST) em Jaciara, com a participação de estudantes de enfermagem que permaneceram no acampamento durante um final de semana.

Para além da tarefa de pesquisa, os estudantes conheceram a realidade de vida e de saúde de famílias sem-terra e constataram a ausência de políticas públicas para esse grupo.

Por outro lado, puderam experimentar a organização solidária do MST e aprender que a defesa da Reforma Agrária e a resistência ao latifúndio também se faz na Universidade e pela Enfermagem. Essa mostra foi organizada pela professora Rosa Lúcia Rocha Ribeiro, do Departamento de Enfermagem.

A Exposição Terra e Resistência estará aberta à visitação até o dia 30 de junho. Mais informações sobre a exposição no MACP pelo telefone (65) 3615-8355. (com assessoria)

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Instrumentos do cotidiano rural

 


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