NA RÚSSIA

Imagem já entrou para a história



robbie

Robbie Williams errou o dedo na hora de fazer um "positivo" para a câmera

Fico grudadinho na televisão durante eventos mundiais como as Olimpíadas e a Copa do Mundo. São acontecimentos esportivos que me remetem ao célebre romance "Guerra e Paz", de Tolstói (1828-1910). Entendo essas competições internacionais como as "guerras do bem".

Não me lembro do nome do cara, mas acho que ele é correspondente de veículo brasileiro de comunicação na Rússia. Num desses milhares de programas que exploram a copa, esse sujeito disse que esperava que o evento, que começou na quinta-feira, fosse algo que simbolizasse a tolerância. 

Nesse papo de tolerância, algo que anda faltando no mundo, questões religiosas, sexuais e xenofóbicas estão na berlinda. Mas o aspecto político também merece ser lembrado. E penso que as maracutaias dessa seara, na verdade, têm mais a ver com a "intolerância", do que a tolerância. Ora ora, alguém, em sã consciência, consegue tolerar pacificamente posturas ditatoriais e/ou corruptas da parte de seus mandatários públicos?

Então, né, me sirvo da imagem mais forte do primeiro dia da Copa da Rússia, que foi o dedo médio ostentado pelo cantor britânico Robbie Williams para as câmeras universais, para dedicá-lo aos piores políticos deste mundão moderno e globalizado. 

Ao todo poderoso chefão russo, Vladimir Putin, ditador chegado às canalhices, assim como; à classe política brasileira, com mandato em exercício. São os alvos para os quais redireciono o dedo médio de Robbie Williams.

Assuntando sobre o que as pessoas acham do gesto do cantor, ouvi as mais diversas reações. Detratores de Robbie não faltaram e aceito as mais diversas opiniões. Não estou aqui para defender o astro pop super premiado e sequer conheço o seu repertório. Mas não considero um desrespeito meramente o que ele fez. "Gesto obsceno"... ora, mostrar um dedo feio, mesmo que isto seja feito para bilhões de telespectadores, sinceramente, não considero como uma afronta. Vai saber os motivos que levaram o cara a fazer isso. E, conforme já disse acima, volto a frisar, transfiro as intenções do gestualizador para os poderosos canalhas que governam o mundo. 

panteras

Tommie Smith e John Carlos, medalhistas estadunidenses protestaram contra o racismo nas Olimpíadas da Cidade do México em 1968

E enquanto vai se especulando a intenção do gesto do artista pop britânico, já está dado aqui o meu recado. Ao gesto dele, resguardadas as devidas proporções, associo a postura dos atletas negros estadunidenses Tommie Smith e John Carlos, medalhistas nas Olimpíadas da Cidade do México (1968).

Tommie e John, ao subirem no pódio para receber as medalhas, na hora do hino nacional dos EUA, baixaram a cabeça e ergueram o punho cerrado. Protagonizaram o gesto dos Panteras Negras, um movimento nascido em 1966, que combatia o racismo e lutava pelo empoderamento dos negros na terra do malfadado Trump, que não sei se é pior, ou menos pior (melhor, nem pensar), do que o Putin. 

Pois é, assim é... Nos grandes eventos mundiais, esportistas e artistas, podem e devem assumir posturas políticas. E, invariavelmente, hão de se mostrar mais coerentes do que as lideranças políticas mundiais... esse povo que vive tentando tapar o sol com a peneira.

Bom, o assunto é daqueles que não quer calar. Preciso, portanto, dizer que não estou a endeusar Robbie Williams. Sequer conheço suas canções, embora já deva tê-las ouvido. O artista pop, assim vejo, estava na hora e no lugar certo, como se fosse um artilheiro... aquele jogador que empurra a bola pra dentro do gol. Vejo seu gesto de uma forma genérica.

A Copa está acontecendo num país gigantesco, territorialmente falando. Com um histórico cultural resplandecente, a Rússia é pátria mãe de artistas geniais. Apesar disso, talvez mais por causa de sucessivos governos castradores das liberdades, parcela significativa de sua sociedade se mostra conservadora em demasia e preconceituosa. Isso é muito ruim e uma Copa do Mundo pode ser um ambiente onde essas questões sejam evidenciadas.

Vou torcer pelo Brasil. Mas também torço pelas 7,6 bilhões de pessoas que vivem neste mundo. Mundo mundão que precisa mudar e entender que as diferenças são inerentes à condição humana. 

 


Voltar  

Agenda Cultural

Veja Mais

Newsletter

Preencha o formulário abaixo para receber nossa newsletter:

  • Nome:

  • Email:

  • assinar

  • cancelar


Copyright © 2012 Tyrannus Melancholicus - Todos os direitos reservadosTrinix Internet